quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mais um ano que vai, mais um ano que vem e tudo continua na mesma. Bem... Não completamente na mesma, mas fora o tremor de terra que trouxeste para o meu mundo contigo, na essência continua tudo o mesmo; eu continuo o mesmo. Embora agora, talvez com outra dimensão, porque, parecendo que não, 19 anos já é uma idade razoável e com essa idade vêm preocupações novas para mim, que eu não tinha antes, mas que agora tenho, fruto do meu crescimento precocemente constante.

Não quero crescer - facto. Mas também não quero permanecer uma eterna criança que nunca virá a ser homem; que nunca virá a ser homem para ti. Isto também é facto, tal como o facto de querer crescer e não conseguir. Não consigo. Ao pé de ti sou e sempre serei criança... Não sei porquê, não percebo, mas também esse é o menor dos meus problemas, uma vez que tu gostas de mim exactamente por causa dessa criança... Isso faz-me preocupar também que possas não gostar do que não mostro... E que algum dia não me consiga conter...

Tenho medo. Tenho medo do futuro, tenho medo do passado e tenho medo da situação em que estou agora. Tenho medo e nunca tive tanto medo na vida... Será que 2008 serviu só para isso? Para me dar medos...?

Vá-se lá perceber as teorias por detrás das conspirações das estrelas que decidem o caminho que devemos percorrer, porque se algumas vezes as podemos vergar à nossa vontade, são muitas mais as vezes em que elas nos vergam a nós, impondo sempre um obstáculo, criando sempre uma dificuldade extra... Testes e mais testes e mais testes sem fim que nunca vão acabar enquanto eu quiser ser feliz, porque é essa mesma procura pela felicidade que me sabota o futuro.

Até quando...?

Até quando vou ter de ganhar balanço para os saltar a roçar a parte de cima? E se um dia não tiver balanço suficiente? E se a barreira resolve crescer por súbita vontade e capricho? E se caio?

Ah... Mas isso não é um "se"... Um dia vou cair, e conhecendo-me como conheço vou roçar a lama, cavar um buraquinho aconchegante e andar por lá uns anitos, porque se neste momento já tenho pouca força de vontade, se me tirarem a razão de viver e me derem um peluche com a palavra "mágoa" escrita na testa, eu vou-me agarrar... E não solto tão cedo; se é que o vou chegar a soltar algum dia... Algum dia em que tenha coragem ou para enfrentar a vida ou enfiar um balázio entre os olhos.


Feliz 2009
...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008





Porque razão és tu assim...? Pergunto-me vezes e vezes sem conta, ainda que saiba a resposta. Corri o teu blogue vezes sem conta a ler textos passados à eras atrás, e chorei. Chorei de tristeza, de ciúmes, de frustração... Porque sei que não vou ser ninguém na tua vida, não comparado com aquele que tece. Ao ler os teus sentimentos tão sinceros, tão profundos... Ao ler as tuas palavras de afecto... Chorei... Chorei de inveja por não conseguir cativar-te tanto como esse sujeito, qual Edward que brilha ao Sol sob o olhar tímido de uma Bella... Nunca me senti assim... Chorei... Chorei e apertei o rato com tanta força que o ia quebrando ao meio. E engoli as lágrimas secas que me pareceram punhais a descer o esófago, procurando trespassar o meu coraçãozinho da forma mais dolorosa possível... E depois chorei mais uma vez... Chorei de dor.

Chorei... Chorei porque a dor de saber que nunca me poderás amar como eu te amo é insuportavelmente intolerável; chorei por saber que nunca poderei vir a ser o teu Edward, ainda que sejas tu a minha Bella...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Às vezes ponho-me a pensar e penso que imagino coisas que não deveria imaginar. Não senti o que sofreste e o conhecimento não me permite viver essas situações, e isso eu lamento... Sei, não sinto, que algures alguém foi importante para ti. Pergunto-me vezes sem conta quão importante ela foi. Terça-feira descobri, confirmei, a existência de outra Tu, e se gostei do que vi e do que me fizeste sentir, não gostei do que vi nem do que me fizeste sentir. Nem tudo é o que parece, e fiquei, agora mais que nunca, a perguntar-me as coisas que sofreste, quem te tornaste e quem eras e o porquê. Sim, o porquê. Não me perguntes o porquê do quê, mas pergunto-me o porquê de seres como te revelaste ser, não pela galhofa disparatada, mas pelo que transparecias quando olhavas para mim e quando estiveste comigo; sabendo eu que não era isso que querias transparecer... Porque sinto em ti esforço? Porque sinto em ti que renegas algo? Porque não consigo eu deixar de pensar que estás onde achas que deves estar e não onde queres estar?

Essa tua experiência que carregas em ti... Que carregas como se de um fardo se tratasse... Quero saber o quanto te deste, o que fizeste e quão baixo desceste para manter aquela obsessão. Não vou ter paz enquanto não souber... Mas também tenho medo de saber... Porquê...?

sábado, 15 de novembro de 2008

O sorriso e a dupla-face

Um sorriso malévolo espreita-me das sombras. Ri-se de mim. Será o monstro que habita em mim? Algemado pela sociedade, liberto agora por algum fenómeno desconhecido a mim?

Assombra-me com recordações, atormenta-me racionalmente e com frieza e simplesmente sussurra ao meu ouvido preso a uma cara paniquificada: “Quero sair”. Quem é que afinal é o Rei e quem é que é o Cavalo? Quem é que se tem de submeter à vontade do outro? Foi só tirar-lhe as algemas uma vez, e a criatura já luta pela supremacia…

Um corpo, duas mentes e um revólver. Duas mãos lutam pela arma prateada que reflecte a luz do Sol que entra alegremente pela janela de meia-persiana aberta. Ouve-se um tiro resultante da luta e da face esquerda escorre um rio de constante de lágrimas impulsionado por uma pupila minguante e trémula, enquanto que da face direita sai um sorriso malévolo e traquina, acompanhado por um olhar exibicionista e penetrante, de plena satisfação. Um do Um que me forma tomou para si o poder de decisão sobre a vida do outro; o direito conferido naturalmente pela Lei do Mais Forte.

E dispara.

Ouve-se mais este disparo ensurdecedor e um corpo que foi meu cai por terra numa acção completamente fora do meu controlo. No entanto, estranhamente mais ninguém pareceu ouvir o trágico e ruidoso som… Excepto tu; que vês a cena com um ar morbidamente deliciado. A natureza humana transparece em ti: a tua expressão é exactamente o que muitas vezes está por detrás da máscara civilizada; a besta selvagem sem dono que brinca com a vida, que manipula e usa, que é egoísta, que tem ânsia por luxúria… A besta que procura a vida boémia de um demónio no Inferno; que procura ser capaz de beber sangue e que, pelo mero capricho de não o poder consumir, o espalha no cimento, na terra, no alcatrão, no chão das prisões e no chão da sua própria casa.



Porque és tu tão cruel?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008




The past always catches up with you. Não podes fugir, não te podes esconder, não podes evitar e apenas te podes arrepender. E depois afundas-te...

Que é suposto eu fazer? Sabes que estou ao teu lado, sabes que me podes contar tudo, sabes que podes chorar no meu ombro, sabes que me tens na mão, sabes que te amo... Mas ainda assim escapas-me por entre os dedos como manteiga que eu tento desesperadamente segurar por mais um pouquinho de tempo... Mostras e correspondes os meus sentimentos, mas sinto que em ti ainda há um vazio por preencher com cores; um vazio que ainda não consegui alcançar com o toque do amor, da amizade... E não sei de que maneira posso chegar a ti. Já te compreendo, já te conheço; mas continuo sem saber o que fazer... Que tenho eu mais de fazer para apagarmos juntos esse fantasma? Guia-me...

terça-feira, 4 de novembro de 2008





Neste pouco tempo que estamos juntos já te fiz chorar duas vezes e já duas vezes me entristeci com a tua tristeza. E depois... Parece que tenho talento para arruinar a perfeição, que tenho talento para sabotar a minha... a nossa felicidade. Gosto de ti, e tu gostas de mim. Mostraste-me isso hoje ainda antes das lágrimas correrem pela relva e pela calçada, quando no auge do nosso tempo passado em conjunto me permitiste conhecer-te um pouquinho melhor. E falámos... Falámos abertamente coisas que nunca disse a ninguém e que nunca pensei que viria a dizer; mas ficou ainda algumas coisas por dizer e tu lamentas. Tu desconfias e olhas de lado a minha desconfiança em ti, que não é desconfiança, mas incerteza e medo. Sim, medo. Medo de arruinar o nosso momento perfeito; medo de arruinar a nossa felicidade temporária. Há coisas sobre mim que não devem ser trazidas ao de cima, porque até eu tenho o meu lado negro... As palavras ditas hoje; sinto-as do fundo do coração. Todas as elas, pois sabes que não digo coisas em vão.

5 letras e um hífen marcaram a tarde de hoje, tal como um gemido abafado, uma conversa, um aperto e um enlaçar de emoções e ingenuidade... e inocência.


***-**

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Tenho a mania que sou alguma espécie de herói que quer salvar os outros do que foi em tempos o seu destino: a solidão. Uma pessoa, duas pessoas, três pessoas... Três tentativas, três fracassos, e só te salvei a ti. Sou um pseudo-messias fracassado que se agarra ao seu único sucesso; sou um cobarde que se esconde ao lado do teu cachecol; um bom mentiroso que teima em não mentir; e no fim, só te tenho a ti para me consolar no fim da batalha, quando ninguém está a ver...

sábado, 25 de outubro de 2008

Ontem, ao som do fazer do azeite no lagar, tenho um pequeno momento de abstracção... Num impulso completamente espontâneo e incontrolável, mando uma mensagem a um amigo meu a perguntar... não, a afirmar que vamos sair nesse dia. Não parava de pensar em ti, e precisava mesmo de conseguir ver-te. Pelo menos neste fim-de-semana, pelo menos neste fim-de-semana. Exerci pressão, e finalmente consegui.

Combinado: 21 horas, sem limite de horas para regressar a casa. Mas... sem mais nem menos lembra-se de abalarmos as 19 horas por causa de um jantar que os pais dele tinham. Ora, o Renato ainda estava com a roupa da azeitona. Bati recorde; bati recorde só para te ver. Fiz a barba num ápice (ia-me cortando algumas vezes), aqueci uma panela de raviolis no micro-ondas (foi o mais rápido que consegui arranjar - 3 minutos), saquei de uma colher e da garrafa de Ice Tea Green no frigorífico e nem precisei nem de prato nem copo; nem cadeira. Engoli a comida, tirei a roupa com um fulgor nunca antes visto e saltei para dentro da banheira. Champô, gel de banho, e 5 minutos depois saí da banheira em direcção ao quarto. "Move it!!", dizia ele. Eu despachava-me. Desodorizante, calças, t-shirt, ténis... After-shave no fim e ainda tive tempo de lavar os dentes à pressa. 20 minutos após a mudança de planos estava eu já a entrar dentro do carro com um sorriso já adivinhar a perfeição que aí vinha.

Encontrei-te, bebemos chá verde (eu outra vez), segurámos as mãos um do outro e passeamos pela cidade fantasma de cor amarela primeiro, e depois pelos buraquinhos mais pequenos e escuros que se nos apresentavam, como se fosse obra do Destino. Corremos os jardins, batemos nas paredes, fizemos pressão no banco de pedra, rebolámos na relva e conversámos e eu segurei-te e tu seguraste-me e olhamos um no outro a ver o que ia acontecer a seguir.

Quem diz que a perfeição é uma utopia é uma pessoa pela qual sinto lamento por causa do seu azar em não experienciar uma noite absolutamente perfeita com uma pessoa também ela perfeita. Não digo que seja fácil, mas está provado que não é impossível. E daí, quando estamos juntos tudo é possível...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ontem acordei, levantei-me, vesti-me e lavei os dentes. Saí de casa e reparei no vento que soprava tão forte que parecia estar a ralhar-me aos ouvidos como se fosse fazer algo proibido hoje. Olhei para o relógio; meia-hora para o autocarro. Um dia perfeito, um dia perfeito.

Fiz umas festas a alguns dos gatos que fazem a sua vida mundana no meu quintal e a um quarto de hora para o autocarro iniciei uma passada calma e compassada, enquanto apreciava o momento. Perfeito.

Estava nervoso, tremia e não tinha qualquer concentração. Hoje era um dia... normal? Não me pareceu. Parecia que as borboletas na minha barriga queriam sair mas não saíam, e que a minha mente estava noutro sítio completamente diferente. Mal dei por mim atirei-me à estrada para parar o autocarro que ia passar por mim, mesmo apesar de ter chegado um quarto de hora antes do horário. Hoje não podia perder o autocarro de maneira nenhuma. Havia algo importante a fazer.

Como de costume liguei o mp3 em modo aleatório e, curiosamente, ou não, calharam, por ordem, as faixas "Dead Gardens", dos Nightwish; "A cova que eu cavo", dos Dealema; a "In Pieces" dos Linkin Park, "Higher than Hope", também dos Nightwish e finalmente "Free Bird", da Yui.

Parecia que tudo em meu redor conspirava para algo...

...adivinhas o quê?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

SV em Standby

O Silent Void vai entrar numa espécie de standby mode. Estou a trabalhar numa página web para mudar tudo de sítio, e portanto por enquanto não vai haver nem textos criativos, nem opiniões, nem nada do género. Recentemente fiz uma descoberta, though; e portanto este blog vai continuar a existir, sim, mas para a vulgar função dos blogs: desabafos ou para mostrar como me sinto.

Still interested? Keep on comin', then. If not, aguardem a inauguração da página. Deverá estar online brevemente (digo eu), com todos os textos daqui e ainda mais conteúdo, mas até mesmo essa será a modos que temporária até mudar tudo novamente para o Wordpress. A razão é que esta página que estou a fazer agora, tecnicamente é trabalho escolar para uma cadeira do meu curso, e como é feita em Dreamweaver e é a primeira página que estou a fazer, está a ficar um bocado aquém do que tinha imaginado, tanto em visual, como em funções.

Em todo o caso, este blog sempre cá estará; embora não com a mesma função.

Obrigado a quem me leu e continuará a ler (se é que alguém se deu/dará ao trabalho).

Renato Lopes

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O Evangelho "No Continuesco" segundo Renato Lopes

Era uma vez uma revista chamada Mega Score que era adorada por uma comunidade altamente fiel à qualidade e personalidade da escrita dos seus escrivães. Era uma vez um rapazito sem qualquer contacto com o que quer que fosse. Era uma vez um outro rapaz sentado de perna cruzada num banco da escola a ler atentamente um guia para o Tomb Raider: The Last Revelation numa revista chamada Mega Score. E era uma vez a curiosidade de uma criança ao descobrir algo novo; subitamente o rapazito começou a interessar-se pelo tema da revista: os videojogos.

Anos depois, a comprar revistas, a ter escassos encontros com o mundo videojogável pela falta de potência do computador que possuía na altura, e a tentar decifrar a linguagem que vinha em cada exemplar, o rapazito começou a adoptar também ele a gíria da indústria e a perceber melhor o que acontecia. Mas não se enganem, muitas foram as revistas que ele comprou pelo CD ou cujas informações passaram mais ao lado por não conseguir descodificá-las, restando-lhe apenas admirar as imagens coladas às páginas numa arte desconhecida para ele na altura. Com mais algum tempo, o rapazito aprendeu o que era um fórum e reparou que realmente a revista não só tinha um, como algumas discussões eram transcritas para as páginas impressas da própria revista. Como agora outro conhecido dele frequentava também ele o fórum de uma revista rival que ele adorava, o rapazito perguntou-se porque não haveria ele também de se inscrever no fórum da sua revista preferida. E inscreveu-se, e começou logo a participar numa agora épica e inesquecível discussão sobre o jogo que tinha em mãos na altura: o Final Fantasy XII.

Aí cruzou olhares e simpatias com um outro membro que como o rapazito também ele era fã da saga, embora com opinião claramente divergente acerca do jogo em questão, mas foi isso no fundo que possibilitou a discussão dos nossos gostos dentro da saga e abrir uma maior cumplicidade entre os dois. Mas a diversão (pois o rapazito estava admirado com o quanto se divertia a discutir os seus gostos com completos desconhecidos) durou pouco tempo, uma vez que subitamente o fórum fechou e a revista havia sido cancelada. O rapazito havia descoberto um admirável mundo novo e entristeceu-o a sua falta de sorte ao acabar assim, sem sequer ter conhecido 5 membros, sem sequer ter explorado mais do que 5 tópicos e sem sequer ter feito mais de 15 posts. Ainda assim entristeceu-o também a perda da sua revista preferida.

Mas, para surpresa do rapazito, a comunidade recusava-se a morrer, e abriu um fórum não oficial sobre a revista. Aí, sabe-se lá como, reuniram-se os membros todos e o rapazito sorriu perante a oportunidade de reintegrar a comunidade. Mas mais uma vez teve azar. Registou-se, sim, mas pouco tempo depois o fórum havia fechado com um sinal na porta que apontava para um outro site. Havia chegado tarde demais, mas chegou cedo a um outro projecto chamado iTomik, que, sendo independente da revista, não negava a clara ligação existente entre a comunidade e a revista Mega Score, agora fonte de saudade e mágoa dos membros da comunidade extinta.

E o rapazito lá se inscreveu no iTomik, ainda com o mesmo nome do fórum da Mega Score na esperança de alguém se lembrar da sua escassa participação. Ninguém se lembrava, mas ele lembrava-se de um ou dois nomes que se destacaram na sua curta estadia e rapidamente depositou os olhos nas suas participações. Além desses, conheceu gente nova e interessante, com algo ora relevante ora disparatado a dizer, e sentiu o calor de uma comunidade receptiva a novos membros e o frio da rejeição. Subitamente não obtinha respostas. Que se passava? Seriam as suas participações altamente desnecessárias ou simplesmente absurdas? Teria criado inimizades com alguém sem querer? Haveria um complot contra a sua pessoa por ser um membro novo com coisas a provar ainda? O rapazito sentiu-se perdido e a sua actividade foi diminuindo à medida que a insegurança aumentava. Lia, respondia pouco, embora o rapazito não soubesse ainda porque respondia, porque não obtinha, de todo, respostas. Tentou chamar a atenção através de guerrinhas e fez coisas que o seu medo pela rejeição o fez fazer e que não faria de outra forma.

Finalmente, as coisas começaram a acertar. A voz lentamente ia chegando aos ouvidos de quem lia as participações do rapazito nos tópicos onde sabia mais. Havia sido ignorância da sua parte e havia também dito muitos disparates por causa disso; tudo fruto da inexperiência na indústria e de ser novo para as mecânicas sociais dos fóruns. Mas essa experiência ensinou-lhe algo valioso: pensar antes falar e pesquisar antes de pensar.

Mas também o iTomik rapidamente começou a sofrer de uma estagnação e o que era para ter sido um portal sobre cinema e videojogos manteve-se como um fórum estagnado e bafiento, isolado do mundo exterior. Planeou-se uma remodelação, algo que foi rapidamente posto de parte por uma misteriosa falha nos servidores que causaram problemas graves no funcionamento do fórum. Foi então que se pensou em fazer um novo portal do zero, mas onde a prioridade seria o conteúdo e uma redacção fixa, apenas com um fórum secundário para a velha comunidade se manter em contacto.

O rapazito, claro, já com uma voz dentro da comunidade, ainda que fraca, discutiu e apresentou as suas ideias e opiniões e propôs soluções aos problemas que lhe apresentavam. De credibilidade e solidez duvidosa, as suas opiniões foram passando através das páginas do tópico e pelo menos a vontade de querer participar activamente no futuro do fórum ficou bem assente.

Entretanto, num outro fórum, não longe dali, onde alguns membros da comunidade assentavam raízes num novo projecto da redacção da falecida Mega Score, houve uma discussão que não foi discussão e que apesar de à vista de todos, passou por todos despercebida. Duas pessoas, rapazito incluído, faziam posts do tamanho de reportagens do Diário de Notícias onde mostravam os seus ideais e modos de ver a vida. Entreteve ambos e ambos se conheceram um pouco melhor por isso, e o rapazito agradeceu a oportunidade que teve de ter um olhar exclusivo para dentro da mente de uma das pessoas que lhe despertou interesse no início do iTomik. Houve ali troca de informação… e de Poder.

De volta ao iTomik, houve um membro que decidiu tomar as rédeas do novo projecto e a partir daí partiu em recruta de potenciais mais-valias para o site e de gente com vontade para ingressar no mesmo. Pelos posts feitos no tópico da discussão, o rapazito presumiu que estivesse dentro da segunda secção, mas aceitou o convite em êxtase por entrar num projecto sério, com alguns membros que lhe haviam despertado atenção também. O rapazito sentiu-se honrado e depois esmagado com a responsabilidade, ao ver que era realmente para fazer algo como deve ser.

Mais tarde, o recrutador passou oficialmente a chefe e eventualmente começou a trabalhar na página do site. O nome foi ainda debatido no iTomik, mas chegou-se unanimemente à conclusão de que No Continues era de facto um excelente nome por reflectir a ideologia do nosso trabalho e por ser apelativo, também.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Caneta pesada

Um bicho chamado mudança surge-me por vezes em pensamentos na forma de uma mulher esbelta que ameaça corroer o meu “eu” existente juntamente com a sua obsessão desesperada e vã de alcançar a felicidade. Tudo passa rapidamente, como o vento do Outono que me guia para mais um dos meus típicos soluços evolutivos, e a inspiração varre-se também ela, roubada pela mulher esbelta de olhos penetrantes como se fosse um mero brinquedo e eu uma ingénua criança vítima de agressão psicológica e chantagem mental: “Queres crescer? Olha que perdes isto.” Fraco e sem força de vontade, agarro.me raquiticamente mais um pouco ao Passado, ignorando o Presente e temendo o Futuro, enquanto a mulher esbelta se afunda uma vez mais no plano da minha inconsciência com uma face translúcida e de decepção.

Sou um covarde sem moral existencial; um covarde que encontrou o seu némesis num amontoado de letras chamado texto, e que se sente derrotado pelo mesmo. Absurdo, falso, ridículo. Mas é verdade. Um mero texto, um singelo texto acarta uma pressão tão grande dentro de si que esmaga a minha ousadia e fragmenta a minha vontade de me ultrapassar a mim próprio, de ser melhor; de crescer. Sucumbi à frustração e um dia, subitamente, a caneta parou de se mexer. De repente, o peso da caneta subiu para atingir um patamar muito além das minhas capacidades. O peso do Mundo, o peso da Gravidade, o peso da Consciência, o peso do Futuro concentrou-se na simples caneta para que eu não desafiasse o Destino e voltasse antes à pacata realidade.

Qual é a minha inspiração? O que é que fez outrora a caneta mover-se? Desabafos pessoais? Conflitos? Reflexões intrusas? Amor? Tédio? Paixão? Conhecimento? Não. Nada disto. Apercebi-me recentemente que o que fez a minha caneta desenhar caracteres nos caixões florestais que trago comigo está escondida pelas ruas de Abrantes, por entre os corredores da extensão IPTesca onde estudo, em cima das mesas dos restaurantes onde como, nas esplanadas dos cafés onde observo o ambiente citadino, nos muros e degraus onde me sento, na vista maravilhosa a partir do Castelo, e sempre que uma lufada de ar fresco me transporta a um patamar metafísico por breves instantes.

A questão persiste. Será este bloqueio temporário? Será este gosto pela escrita temporário? Apenas uma delas pode ser temporária, mas não sei qual é ou qual foi. Porém o meu regresso à capital do concelho está marcada e com ele o desvanecer desta nuvem. Eu precisava disto; eu preciso disto. Preciso de regressar aos cafés, de regressar ao Castelo, de regressar onde pára a minha inspiração. Preciso de regressar à faculdade para poder chamar de livre vontade a mulher esbelta que me irá permitir avançar um patamar à frente; para poder derrotar o meu actual némesis. Mas será que ela responderá ao meu chamado, após a desilusão que lhe causei no Passado…?

terça-feira, 29 de julho de 2008

No Continues

Ora aqui está ele, up and running finalmente: http://nocontinues.net/

O No Continues já foi oficialmente lançado, e já possui algumas notícias para regalo daqueles que gostam de videojogos. O cancelamento da Hype! foi um choque forte para muito de nós, jogadores portugueses, mas nada temam porque este site promete assumir-lhe o lugar, ou pelo menos oferecer uma fonte diferente de informação sobre videojogos.

Mas não apenas informação. O importante do site é que permite uma visão pessoal sem abusar do New Games Journalism ao extremo, dando mais importância às opiniões dos redactores do que ao esmiuçar de todos os pormenores de um jogo, mas sempre abordando, claro, as características mais importantes. Por isso não há análises, mas sim críticas e nem tão pouco há debitar de informação que todos já sabem. Os conteúdos pessoais são únicos, e é nisso que apostamos.

Existem alguns nomes sonantes integrados no projecto. Eu... não sou um deles, mas sinto-me honrado por eu, autêntico novato (sinto-me quase com estatuto de estagiário), trabalhar ao seu lado, ao lado de gente que participou activamente em sites e foruns como o No Mutants Allowed, RPG Codex, Site Não-Oficial Mega Score e outros. É uma grande oportunidade para mim de crescer e ganhar experiência, pois é um projecto bem ambicioso e que está a ser encarado seriamente por todos nós. Por isso, se gostam de videojogos e procuram uma opinião extra de gente que ao fim ao cabo são simples jogadores como vocês, passem por lá, registem-se no fórum e discutam. Mas discutam bem, porque são discussões sérias que se procuram.

Espero ver-vos por lá.

Renato "Lp" Lopes

segunda-feira, 28 de julho de 2008

12 de Julho 2008 -- População Inconsciente

Para variar (bastante) o tema, deu-me vontade de abordar política ao de leve. É estranho para mim falar de política. Não só não é tema que me cative muito, como não é, de todo, um dos temas onde estou mais à vontade. A inspiração para este texto veio de uma conversa que tive com um taxista a respeito do nosso actual Primeiro Ministro. O ódio era notável nas suas palavras. Bem... Não tanto ódio, mas antes falta de confiança. Tentei persuadi-lo a ver a outra face da moeda e ele concordou com algumas das coisas que eu disse, mas a desconfiança ficara por desmoronar, uma vez que ele escondia-se por detrás de um escudo de, segundo ele, "experiência de vida". No fim de contas, fiquei com as minhas conclusões, mas acabei por aceitar a sua opinião e apertámos mãos quando cheguei ao meu destino. Foi interessante ter contacto directo com a opinião do povo...


DOWNLOAD: http://extremeexperience.org/portal/index.php?option=com_jdownloads&Itemid=6&task=view.download&cid=9

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Acho que todos os portugueses conhecem a faceta malévola desenhada pela sua própria boca acerca do nosso actual Primeiro Ministro, o Engenheiro Sócrates. As razões por detrás desta má imagem podem residir, penso eu, na sua atitude não só perante a política, mas também perante o povo português. O aumento dos impostos, o famoso “aperto do cinto” e as muitas faltas do Engenheiro Sócrates às suas promessas eleitorais, são alguns dos argumentos mais ouvidos para defender o desgosto do povo, e são, na sua visão, prova do desrespeito que o Primeiro Ministro tem perante ele.

Será correcto pensar assim? Acho que não. Há muito tempo que é moda falar mal dos políticos e, na minha opinião, com o tempo tornou-se mais um hábito do que o que era suposto ser no início: uma manifestação de consciência cívica. Tentando assumir uma posição neutra, proponho-me de facto analisar a mentalidade por detrás deste mesmo comportamento de desconfiança, não inexplicável, mas desnecessária. Explicável, porque é justificável pela História do nosso país; desnecessária, porque é exactamente o tipo de comportamento que gera instabilidade, algo que não necessitamos de todo neste momento. Política é necessária, tal como um sistema governamental, a questão é se realmente ambos são funcionais e compatíveis.

Funciona? Não funciona? Porquê? Se perguntarem a um cidadão aleatoriamente, ele dizer-vos-á que não funciona, porque os políticos são figuras sombrias e corruptas que não inspiram qualquer tipo de confiança. Embora possa estar a ser honesto, isto não corresponde necessariamente à realidade. Na Política há oportunistas, mas também os há em qualquer profissão. Em todo o caso, não tem que ser assim.

Isto leva-me a uma coisa que me faz comichão à noite: é que as falhas são altamente faladas, mas as boas iniciativas ou bons resultados atingidos passam completamente ao lado da pessoa comum. O Governo de Sócrates fez muitas coisas (eticamente) mal, mas fê-lo porque tinha de ser feito para se obterem resultados a longo prazo. No meu ponto de vista, isto não tem que ser moralmente correcto. O futuro do país depende de resultados e não havia outra maneira de os obter, ainda que se aproxime levemente da ideologia Maquiavélica: Os fins justificam os meios.

Com este modo de pensar, a meta do défice proposta pela União Europeia foi alcançada. É uma conquista para o povo português, sofrida, é certo, mas as conquistas de um país implicam sempre o esforço da sua população. Infelizmente, a guerra ainda não está ganha e como tal vamos ter de sofrer um pouco mais, mas temos de ter em mente que isto é um passo necessário a dar em direcção a um Portugal melhor. Quando superarmos este desafio como uma nação, vamo-nos deparar com um Portugal mais rico, desenvolvido, e unido por causa desta mesma experiência, que por bem ou por mal, irá ficar marcada no nosso espírito lusitano, forjando uma nova mentalidade portuguesa.

Fala-se mal porque sempre se falou e porque se fala em todo o lado, mas são poucas as vezes que se pensa porque se fala mal. Compreende-se a falta de confiança do povo português em relação à política, mas o cepticismo tem de dar lugar ao militantismo e as palavras às acções, com uma mente consciente e uns olhos abertos em vez de uns ouvidos unicamente voltados para o boca-a-boca, ao ponto de ignorar a realidade e não procurar saber o que se passa de facto. De acordo, os Mass Media também não facilitam a vida ao cidadão nesse aspecto, mas no fim, a luta cabe sempre ao Zé.

terça-feira, 22 de julho de 2008

19 de Maio 2008 -- O salvador dos jogadores

Ora, este texto foi bastante fraco. Estava sem ideias e já há muito que me debatia com o Prince of Persia: Warrior Within, portanto a modos que o texto saiu algo parecido a um enorme rant acerca da mal organização que eu estava certo de existir. A verdade é que as coisas eram obvias, e eu tenho tendência a achar que as coisas são mais difíceis do que realmente são; tenho tendência a complicar as coisas (vêem?). Não há muito que dizer sobre o texto, por isso fico-me por aqui. Domingo sai o próximo e último que tenho em "stock". Depois, há medida que as newsletters forem saindo, aos Domingos vou postanto.


DOWNLOAD:
http://extremeexperience.org/portal/index.php?option=com_jdownloads&Itemid=6&task=view.download&cid=8

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Bem, estou já quase à dois dias encravado na exacta mesma parte, na maldita, ainda que encantadora, perseguição programada especialmente para mim, comprador, para me fazer correr pelas paredes, descer escadas e evitar um ou outro trecho de caminho partido, enquanto o meu próprio ser estremece ao ouvir as pesadas passadas da besta chamada Dahaka, que me persegue à distância de meia-dúzia de formigas.

Emocionante, sem dúvida, estas partes da acção de Prince of Persia: Warrior Within, aliás, seriam, se as pudéssemos desfrutar decentemente, coisa que não acontece. Nas primeiras vezes, o coração pula, os olhos arregalam-se, e as mãos tremem levemente de emoção ao ver a majestosa figura negra e o adequado ecrã em tons de castanho, mas depois de morrermos algumas vezes (coisa inevitável, diga-se), todo esse sentimento é substituído por uma frustração em relação ao design do cenário, que nos conduz erroneamente para um sítio, em vez de nos fazer ir numa única e indistinta, ou ao menos óbvia, direcção, quiçá com obstáculos, mas fundamentalmente linear, tal como se quer numa boa perseguição.

A primeira destas perseguições, foi deveras deliciosa, principalmente por manter aquele medo pelo que vem a seguir, e a incerteza de se conseguir ultrapassar a meta a tempo; isto, porque consegui completá-la à primeira vez, e que ode aos sentidos e reflexos foi. Gostaria de poder dizer o mesmo desta, mas infelizmente o cenário conspirou contra mim. Por duas vezes me vi enganado. Primeiro, ao sair de um corredor sombrio para deparar-me subitamente com um beco, aliás, varanda, sem saída, e depois quando subitamente me vejo a abrandar o tempo enquanto pulo de uma saliência para outra até finalmente chegar a uma parede onde se encontrava um dos típicos botões da série, que, neste caso, nada fazia, atirando toda a minha esperança de progresso nas mãos de um autêntico, agora sim, beco sem saída.

Na primeira situação, a falha ainda se perdoa, uma vez que, embora não visível à primeira vista, a solução se encontrava bem acessível, mas a segunda situação, essa é puro abuso. Ó quantas vezes carreguei eu, em vão, no raio do botão à espera que se abrisse miraculosamente uma passagem que não se chegou a abrir. Depois, desesperado, o olhar dirigia-se para a direita, depois para a esquerda e em frente, onde a besta dos tentáculos começa a aparecer ainda em câmara lenta. O Destino do Príncipe, a morte, chega; e com ele, o Destino do jogador, o meu Destino, após uns cortes ensanguentados a vermelho num ecrã de fundo preto: Game Over.

Reinicio, e reinicio, na esperança de ver algo que me tivesse escapado. Uma passagem tapada pela câmara, talvez, uma alavanca, um poste… Qualquer coisa! Mas nada. Efectuo, pesarosamente, o mesmo caminho vezes sem conta, com uma incrível destreza, devido à memorização dos movimentos necessários, mas vou sempre encravar no raio do botão. Raios!

No dia seguinte, e após mais uma horita de impiedosa monotonia, chego ao ridículo de implorar salvação aos céus, e foi aí que me lembrei do fiel amigo dos jogadores; aquele que tem sempre resposta para as nossas crises videojogáveis. Qualquer jogador que se preze não desiste ao mínimo problema, mas a frustração assombra-me e não só ameaça a fluência e ambiente do jogo, como arruína toda a experiência, já de si frágil pela enorme quantidade de bugs e glitchs. Não consigo resistir. Abro o portátil, ligo a minha Internet móvel, com um sinal podre à minha inteira disposição, e escrevo na barra de endereços “www.gamefaqs.com”.

Ó a frustração de ter encravado em tal parte que deveria ter sido fluida; ó o lamento de não ter conseguido efectuá-la à primeira, coisa que, agora com a solução diante dos meus olhos, deveria ter sido muito mais fácil e altamente gratificante. De qualquer maneira, e agora satisfeito, continuo a minha aventura a cantarolar, enquanto decapito mais uns inimigos de areia ao roubar-lhes a sua própria arma, pois sei que posso contar com o meu fiel salvador, - meu e de muitos outros, penso - para o que der e vier. E ainda dizem que não há super-heróis…

terça-feira, 15 de julho de 2008

12 de Abril 2008 -- eXPe

Este foi o meu segundo texto para a newsletter eXPe e foi exactamente sobre isso: sobre o próprio fórum. Estava por lá à pouco tempo e tentei por várias vezes introduzir temas de discussão, ou até mesmo ir contra opiniões minhas só mesmo para "picar" um pouco o ambiente para se poder ver actividade, mas tudo foi em vão, e o fórum depressa estagnou. Razões, penso haver três: o reduzido número de utilizadores activos face aos registados, a má estruturação dos tópicos e dos subfóruns, e a falta de algo em comum que motive a comunidade a participar. Tenho de ser honesto, e dizer que esta crise veio mesmo a calhar porque não tinha ainda tema, mas entristecia-me ver o fórum afundar. Curiosamente, quando sugeri a reestruturação, na mesma newsletter, um dos administradores fez um anúncio de uma remodelação para um site de e-learning português. O projecto já arrancou, embora sem fórum, e se estiverem interessados em ver o primeiro site de e-learning tecnológico 100% português e gratuito, basta seguirem a hiperligação http://extremeexperience.org/portal/. Já agora, de lá também podem agora fazer download das newsletter. Finalmente tenho os novos links.


DOWNLOAD:
http://extremeexperience.org/portal/index.php?option=com_jdownloads&Itemid=6&task=view.download&cid=7

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Epá, verdade seja dita que tenho andado sem ideias para escrever, e foi depois de pensar um pouco que me veio um texto que considero se enquadrar neste momento. Estou no vosso fórum há pouco tempo e não sei se estou no meu direito, mas acho que devo dar a minha opinião acerca do eXPe e da sua comunidade.

Quantas vezes acedo eu ao fórum para ver tudo cheio de teias de aranha? “OMG!”, penso eu “Mas que pretendem eles com este fórum???”. E pergunto-vos: Que pretendem vocês com este fórum? Já vi fóruns geeks (Abreojogo/No Mutants Allowed/…); já vi fóruns de, efectivamente, discussão (iTomik); fóruns com especializações específicas (Techzone/Metal Underground) e até já vi e participei em alguns fóruns de galhofa/SPAM/MSN Style (adupla.informe)… De géneros de fóruns já vi quase tudo o que havia para ver; há-os de todas as formas e feitios. Mas o vosso é algo peculiar, o que não seria necessariamente mau, não fosse o pequeno pormenor de NÃO FUNCIONAR.

I simply just don’t get it. Porque criaram vocês um fórum? O que fazem por lá também podem fazer pessoalmente, em turma. Normalmente criam-se fóruns para se consolidar uma comunidade em redor de um ou mais temas comuns. Nesse agregado, depois, surgem inevitavelmente opiniões divergentes e geram-se discussões, ou então discutem-se notícias, etc… O importante é que se gera um clima produtivo onde aprendemos um pouco mais. No dia em que escrevo estas linhas, por exemplo, estive a ler um thread que criaram no iTomik sobre Espaço e Física e aprendi que já é possível criar anti-matéria! Mais um exemplo. Aqui a alguns dias, abri um tópico denominado “Jogos/etc… E Arte” no mesmo fórum, e ainda hoje (e provavelmente ainda na data de saída desta newsletter) estou envolvido numa discussão que considero bastante enriquecedora. Descobri pontos de vista que tenho e que nem me tinha dado conta! É este sentimento de aprendizagem, este ambiente de produtividade e união, que falta por estas bandas. Ou então um espírito de “na descontra” e “Freestyle”. Decidam-se.

A questão aqui é que o vosso fórum não tem um estilo definido devido à comunidade, e isso resulta numa dispersão de temas tal, que os poucos membros que postam perdem-se pelos temas, dando assim um ar parado ao fórum. Se concentrassem mais os tópicos e diminuíssem o número de sub-fóruns, haveria mais movimento, ou pelo menos estava mais focado e organizado, e não tão disperso. Outra razão é o facto de a comunidade ser demasiado diferente. Há uns que sim senhor, querem discutir, mas depois há outros que têm preguiça ou não se interessam. No geral, é um forumzito bem generalista e com um certo à vontade, mas depois há ali uma pequena tentativa de puxar pela comunidade, de levar aquilo mais além, mas que não vê os seus esforços recompensados. Por isto, cria-se assim um clima de incerteza; mais, diria até que o vosso fórum tem uma crise de identidade.

Pergunto-me quantos de vocês se dão sequer ao trabalho de abrir este ficheiro PDF, mas mesmo assim, os que lerem este texto, que tomem alguma iniciativa. Se querem levar este projecto avante, sugiro uma reestruturação, e uma divulgação mais acentuada do fórum, bem como deixarem ser os users a construírem o próprio fórum, em vez de terem carradas de categorias predefinidas ao início. Procurem juntar uma comunidade com gostos e interesses semelhantes; ou pelo menos algo que a una. O meu objectivo até pode ser contrário ao vosso, mas gostava de conseguir tornar este fórum um pouco melhor, melhorando a sua comunidade, nem que para isso criem tópicos só para me atirarem pedras verbais; pelo menos assim mostram alguma actividade.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

9 de Março 2008 -- O Primeiro

Bem, vou começar a postar os textos que tenho feito mensalmente para a minha Coluna de Opinião na Newsletter eXPe. Era para ter um link onde poderiam visualizar toda a newsletter, mas o antigo forum passou por uma reestruturação tornando-se agora num site de e-learning, de modo que prefiro esperar pelos novos links. A Newsletter sai mensalmente, mas tenho já 4 textos em arquivo, assim sendo, numa primeira fase, estes quatro vão sair semanalmente, ao Domingo, mas posteriormente, a publicação vai retomar o carácter mensal, ainda ao Domingo. Neste espaço, vão encontrar sempre um comentário meu acerca do texto; como este é o primeiro, decidi fazer uma espécie de, vá, introdução à coisa. Ora que quero eu ao postar os textos aqui? Em primeiro lugar, tal como em todos os outros textos, armazená-lo online, não tenha eu que formatar o disco, mas também quero ouvir, neste caso ler, a vossa opinião sobre a qualidade dos textos ou sobre os assuntos expressados, uma vez que, tecnicamente, são textos profissionais, embora não esteja a ser remunerado. Já agora, irei criar futuramente um espaço na side-bar dedicado à Newsletter eXPe e que servirá de arquivo para os textos e para que tenham facilitado acesso ao mais recente ou para reler.
E por agora é só. Estejam à vontade para gerir discussões no espaço para comments. Não é um fórum, mas creio que dá para o gasto. A gente vê-se.


DOWNLOAD:
http://extremeexperience.org/portal/index.php?option=com_jdownloads&Itemid=6&task=view.download&cid=6

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Hm, que dizer? Acho que é bem natural que o nosso primeiro texto para alguma secção de uma publicação seja um texto introdutório, por isso, venho assim por este meio apresentar-me ao serviço nesta Newsletter do projecto eXPe – eXtreme exPerience – sob o comando do Chefe de Redacção KF_87

Tal como todos os que escrevem neste espaço, também eu sou um user e membro do fórum eXPe. O meu nome, uma vez que não tenho nada a esconder, é Renato Lopes. Por aqui, o meu nick é Strife, mas também uso o nick de Lp, quando dá, ou em alternativa, Lp_Root. Criei um blogue de escrita, porque gosto de escrever, e porque gosto de escrever, voluntariei-me para integrar esta equipa.

Contava escrever ocasionalmente um texto ou outro, quando me pedissem ou o tema agradasse, mas ofereceram-me mesmo uma colunazita de opinião, aparte do papel de escrever artigos. Como aluno de Comunicação Social que sou, não podia recusar a oportunidade de integrar algo do género, e por isso estou agradecido, ainda mais por me honrarem com uma das primeiras secções fixas da Newsletter. Vou fazer os possíveis para conseguir acompanhar o ritmo e tentar ser o mais profissional possível, por isso, mesmo que não vejam um artigo meu (o que, derivado a vários factores, aconteceu este número), podem sempre contar com esta coluna, que, a partir deste número, vai estar sempre convosco.

O que escrever e sobre o quê. Este é o maior problema. Esta secção está independente do tema geral de cada número, assim, contem que eu fale de tudo… e de nada. Umas vezes falarei de coisas sérias, outras, nem por isso; opiniões sobre opiniões (quando a imaginação escassear); assuntos ligados com as massas; outras vezes assuntos um bocado mais de “nicho”… Resumindo, tudo o que eu me lembrar de escrever, excepto, lá está, escrita criativa, porque afinal de contas isto é para expor as minhas opiniões.

Mais… Ah, sim. Tenham em mente, como disse já imediatamente acima, que são meras opiniões, e, como tal, podem ser debatidas livremente por todos. Uma vez que esta newsletter faz parte de um fórum de discussão, calha bem! Aqui também há o Direito de Resposta, tal e qual como nos jornais. Se sentirem que não concordam com algo que eu disse, deixem a vossa opinião no tópico da respectiva newsletter, ou, se o problema o exigir (se preverem que vai dar uma discussão muito grande), criem um tópico para tal. O importante é que se façam ouvir, e que se gerem discussões saudáveis e produtivas para todos. Façam-se ouvir para que outros vos ouçam.

Bem, acaba-se o meu modesto espaço. Apenas uma breve nota: Todos os textos que fizer para a Newsletter são originais, mas serão depois publicados no meu blogue (http://silentvoid-losthoughts.blogspot.com/) uma ou duas semanas após a saída da Newsletter. Afinal, foi para circunstâncias como esta que o criei; para armazenar todos os meus textos. Finda a nota, e findo o espaço, tenho de confessar que ainda não sei sobre o que vou escrever no próximo número, mas tenho a certeza de que pensarei em algo, e espero que seja do vosso agrado. Em todo o caso, até lá.


Renato Lopes
(Lp/Strife)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Artwork #2


Ouço passos. "Quem vem lá? Está escuro; não consigo ver. Quem és?" "Ninguém" Silêncio, e uma voz pesada pergunta "Como te chamas?" "Se to dissesse ficaria ainda mais desprotegida" "Não precisas de mo dizer" "Porque mo perguntas, então?" "Por nostalgia" "Nostalgia?" Não ouvi resposta.

"E tu, estranho que navegas nas minhas sombras? Dás por que nome?" "Não preciso de to dizer..." "Porquê?" "Porque tu o sabes" "Se soubesse que me levaria a perguntá-lo?" "Por mais que me custe, o esquecimento" "Relembra-me então" "Não seria genuíno" "Sinto tristeza nas tuas palavras, meu caro romeiro..." "Não me chames romeiro, não fiz nem nunca farei peregrinação a invenções humanas para suportar as suas fraquezas", interrompeu-me com um tom aparentemente ofendido e continuou o seu lamento "Já a tristeza, essa nada é mais do que um acessório."

"Lembras-te do porquê de estares rodeada por sombras?", perguntou repentinamente "Não" "Porque não te encontras rodeada por sombras, mas antes por luz" Não disse nada "Que dizes? Rodeada por luz?" "Abre os olhos, e vê por ti própria" Vagarosamente abri as pálpebras e uma luz incandescente entrou por mim. "Vês?" Um deserto de branco à minha frente. Teria sido um sonho ou um... "Pesadelo?" "Sonho. O Pesadelo fica para estes lados." A voz vinha agora de trás, como tal, voltei-me procurando ver o estranho ninguém que me havia libertado. Só vi uma infinita parede negra que se propagava em todas as direcções, sem no entanto ultrapassar aquele limite que verdadeiramente não estava ali. "Romeiro?" "Não insistas em chamar-me isso. Estou aqui, não temas" "Onde estás? Por detrás da negra parede? Onde brilham esses dois feixes luminosos de cor vermelha?" "Isto não é uma parede, antes dois mundos divididos sem qualquer barreira. Eu estou aqui, do outro lado"

"Estamos em mundos diferentes?" "Sim, mas podemos ter breve contacto" Estendeu-me uma mão e a sua cabeça emergiu do sítio onde outrora brilhava o que, eu agora vejo, eram os seus olhos, vermelhos como rubis. "Como podes ver, sou eu quem navega nas sombras e não tu" Estendi a minha mão para alcançar a dele, num embate suave, ainda que áspero na sua mão. Ele sorriu "Não te lembras de mim?" "Não" "Nem mesmo com o contacto que as nossas peles ansiavam há tanto tempo?" "Não" "O roçar da pele não te invoca emoções, recordações ou sentimentos inexplicáveis? A tua pele não estremece como a minha ao sentir a tua presença?" "Lamento..." Pareceu desanimado e baixou a cabeça por momentos, acariciando-me sempre a mão, como se de facto sentisse a saudade de que falava.

"Petra; minha Petra... Que foi que ele te fez?" Fiquei confusa. "Tira-te dos meus braços, leva-te para longe e apaga as recordações e os sentimentos de ti em relação a mim, mas não o contrario..." "Ele?" "Mas ele vai pagar!" Ergueu de súbito a cabeça num acto de raiva e cerrava os dentes sobre o brilhar vermelho dos seus olhos. Assustei-me e larguei a mão. Ele não me censurou. "Ele quem?", ganhei coragem para perguntar. "Aquele que segura ambos os mundos nas suas mãos; aquele que se julga um paladino ao serviço da Justiça, mas que gera mais conflito em proveito próprio; aquele a quem a obsessão de vingança possuiu, tanto que o acto em si não chega nem chegará para saciar a sua fome" "Quem..." "Michael" "Quem?" "Ele está ali, olha. Observa-nos, tal como sempre fez, com contínua e doentia inveja da nossa felicidade; da felicidade que me trazias, à qual, do seu ponto de vista, eu não tenho direito e ele sim." "Silêncio!", irrompeu um indivíduo vindo do nada e que segurava espadas em ambas as mãos.

Espadas magníficas, sem dúvida, com um aspecto cristalino e puro. O ser humano comum poderia dizer até que aparentavam ser sagradas: uma espada branca de lâmina e punho negros e uma espada negra de lâmina e punho brancos, ambas com uma pequena corrente presa ao punho, onde cada uma trazia um emblema, cujo aspecto eu não consegui distinguir com clareza. As suas vestes emanavam também dualidade: usava um calçado branco, calças negras, camisola branca e, mais acima, por baixo do seu cabelo negro, um pequeno crucifixo também ele negro, pendurado na orelha esquerda.

"Silêncio, já disse!" O romeiro exaltou-se "Quem julgas que és para me mandar calar?! Reles verme!...", respondeu enquanto lhe dirigiu o olhar de forma tão ameaçadora que eu estremeci "Tu, triste marioneta, ousas falar-me, a mim, nesse tom?! Tolo! Nada és mais do que um tolo, se pensas que esta situação se vai arrastar por muito mais tempo." Uma perna saiu furiosamente da escuridão dando um passo na minha direcção, ainda que a própria escuridão se tornasse mais adensa de modo a tentar impedir a transgressão, aparentemente em vão. Lentamente, o romeiro abria caminho e o outro sujeito fitou-o nos olhos, encarando-o calmamente, sem mexer um músculo. Eu estava assustada. Não sabia o que estava a acontecer e muito menos previa o desfecho da cena. "E tu? Quem és tu para me falar do alto do trono em que te colocas?!", disse furiosamente o outro "Genocída!", e cuspiu para o chão inexistente mas que passou a existir, e onde atirou a espada branca, que se cravou no chão, esperando pacientemente o pé respectivo para a enterrar quase que totalmente. Não se ouviu um único som, mas a espada começou a emanar uma luz esbranquiçada, não sem, no entanto, uns feixes negros, porque em tudo o que é puro há sempre algo obscuro.

O romeiro, que já havia passado metade do seu corpo em trajes negros, começou a ser sugado de novo para a escuridão. Ele lutava e tremia, cerrando os dentes e empurrando os membros violentamente na minha direcção. Eu olhava, sem qualquer reacção, e de repente estremeci ao ver-me confrontada com um olhar triste vindo do seu rosto "Petra..." O romeiro esticava a mão numa última tentativa de me alcançar, enquanto me penetrava com aquele olhar triste, saudoso e solitário, olhar que tinha a impressão de já ter visto em algum lugar.

Olhei para ele, com certo receio, e depois olhei para o portador das espadas, que recolhia a que havia enterrado e me acenava negativamente com a cabeça, fazendo balançar o pequeno crucifixo levemente na orelha. Tive dúvidas. Memórias apagadas? Será isso possível? Que memórias? Que... Espera. O olhar triste, eu já o vi. Onde? Dinheiro, ouro. Roubei, sim, roubava. Ele deixou, e os nossos olhares cruzaram-se, o dele terno e gentil, o meu amedrontado e receoso. "Uma casa abandonada, coberta de trepadeiras...", comecei, tentando recordar mais alguma coisa "Roubei-te ao chegares à aldeia", ao sorriso acrescentou-se um brilho nos olhos, qual olhar sonhador de criança "As noites... Um bosque?" Vi uma expressão sonhadora na sua face e soube que era verdade. Será possível que ele tenha dito a verdade? Tive dúvidas. Olhei hesitantemente para o romeiro, que se afundava na escuridão, e para o outro sujeito, que parecia preocupado. Tive dúvidas, mas ergui a mão. Algo cá dentro; algo que aparentemente havia esquecido, me dizia para agarrar aquela mão com tanta força que nem a própria dualidade do mundo poderia interferir, de modo a sentir mais uma vez a sua pele, agora áspera, mas que outrora não o era.

Estiquei a mão e a minha pele tremeu, como se reconhecesse melhor que eu algo, alguém, mais do que familiar no passado. "O teu nome..." "Sim?" "É Isaac, não é?" Ele sorriu agora ternamente, e sentiu a minha mão. "A solidão, a solidão... Nada foi o mesmo desde que te conheci" Levei-lhe o dedo à boca, e mandei-o calar "Temos muito tempo pela frente" O portador das espadas cerrou o olhar e baixou os braços, ciente de que não podia fazer nada, e nós dois mergulhámos juntos na escuridão, onde ele me tomou nos seus braços.

Não tinha certezas de nada, muito pelo contrário, mas de facto aquela escuridão parecia tentadora...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Rajada

Escrito de uma vez enquanto esperava o almoço de hoje. Acho que se pode chamar de improviso:


Só vejo sombras em meu redor. As letras prendem-me ao papel como viciado que sou e soltam-me num instante, num instante apenas onde recupero o meu fôlego. Construção de uma obra, desconstrução de um ser. Tempo? Quem tem Tempo? Nunca ninguém tem Tempo. Em casa, num escritório, num café, num escritório, numa empresa… Busy, busy, busy, dizem os ingleses; work, wok, work, dizem os patrões ingleses. Ontem um gato arranhou-me. Será que escrevo sobre isso? Escrita mainstream, generalização da escrita. Hoje em dia qualquer um pode ser escritor. Idiotice pensar, fala-se sem pensar, sem saber, sem conhecer, sem argumentar, sem aprender. Flama-se* por e simplesmente só. Geração da pastilha elástica. Isso é o Passado. O Presente é a geração Hi5. E o Futuro… Ó o Futuro… Que nos reserva ele para o ano de 2056? Fim do mundo, Apocalipse, Ragnarok… Fim da existência social, e da existência em geral, mas essa existência também acabou quando um miúdo morreu em frente ao computador a jogar WoW**.

Ah, finalmente Paz. Um jardim. Um jardim de recordações. Brincadeiras com carros que eram mãos e jogos inventados com imaginação. Chega o demónio e a tecnologia é implantada. Quem sou eu? Sou mais um. Um quê? Consumista. Geração X, Geração W, Geração Y, M, e o resto do alfabeto. Consumo é vivência e vivência é consumo. Carjacking. Carros são jackados por muitos jacks. Jack. Jack Sparrow, Disney, desenhos animados, webcomics, BD, Manga… Hentai. Pervertidos frente ao computador que lhes permite fantasiar as suas fantasias. Pornografia. Nada é sensual, belo, bonito, e sim duro e completamente inútil ao olhar. Depois queixam-se dos calos, claras evidências do instinto humano.

Imaginação, Saber, Conhecimento… Onde param os Cogumelos Mágicos? Todas as pessoas sabem que os cultos são atrofiados por natureza, e que Animação é só bonecos. Ninguém se preocupa com o significado: “Que piada isso tem?”. Pobres ignorantes que só vêm o que lhes é posto à frente, pois ver para além do óbvio requer esforço.

Belas conversas no MSN. Nunca vou esquecer a nossa conversa, Marilda. Espero que te tenha sido útil. De resto, “Olá” “Como estás?” “Estou bem” “O Itachi sempre morre?” “Parece que sim”. Espião T. Referências, sim, referências pessoais que só eu entendo; eu e mais ninguém. Aliás, é para essa pessoa que escrevo isto: Para o Renato - do seu pseudo alter-ego.

Vou comer. O almoço já deve estar frio.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mirrors

Mirror, mirror on the wall, who is the truest of them all?

I look at my reflection, but what do I see? A reflection of the society, reflected by me. The deeper I see, the deeper the abyss. I sink in it, and realize that in Life I’m still a novice. In a grey street in the middle of a grey day, I shock with a person and I look at his face. Should it be different? Or be how it is? Never seen the difference, though, always sleeping out of my dreams.

[Read rapidly, almost without stops]

Over the appearance, I try to see deeper inside. We are all different, no matter how much. I stare, I stare, and the empty expression stares me back. Just like seeing me in the mirror. What! What am I looking for? Why! Why am I looking for it? I try harder, deeper… I focus my eyes on little things, different things. I tremble everywhere in the panic that I won’t find anything, and my eyes dance in the eyeballs looking in every single direction looking for something they don’t find… [Stop]

The person gets up and walks away. Do I have to seek deeper? Or do I just ignore this, move on with my “life”, never turning back, just to see the end of the day? The city moves around with the stress, I look around me just to find clones of myself. Rules… There are rules, I’m sure. What were they? I forgot, despite applying them every single day. On the top of a big building, a black screen holds a secret. I stare some more, trying to discover it. The Sun grows bigger and rises up in the sky; it was covered by the building, it is now more free, but still entangled by the pseudo-night.

Mirror, mirror, I see you everywhere. I wish I could not see you…

I turn around and start walking again. My Destiny? Dunno. Tomorrow? Who knows? I’ve made my decision and step by step, each one faster than the other, I make my way, under a clouded sky and in a city covered in grey. Between the masses, I march firmly against the stream. It all gets through me, forcing the mirrors explode in contact, and carving sharp glass pieces on my skin. But I continue despite all the pain. I continue because I have to know the truth to clear up my mind.

Mirror, mirror on the wall… Why do you exist?

The scars are visible even today. My path gets unclearer every single day. I did what I must, scared in the moment. Do I regret? Maybe tomorrow.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Untitled #1

Todas as semanas venho até aqui e olho para a tua campa. Não sei o que procuro por entre estes vasos tombados, estas flores murchas e esta areia espalhada aleatoriamente pelo chão, misturada com pétalas secas que simbolizam apenas morte. Não sei o que procuro, mas de certo que não és tu. Mafalda, o quanto sinto a tua falta, mas faltam-me as palavras com que exprimir-me, talvez, quem sabe, roubadas pelo mesmo vento agreste que brinca com as folhas dos eucaliptos em redor e ergue no ar as pétalas da morte. “Promete-me que vamos estar sempre juntos”, disseste tu, num sussurrar intermitente por entre as lágrimas de choro que vertias quando tinhas dúvidas acerca de Nós. Eu acenei, olhei-te nos olhos como não fazia há tantos anos, e tu abraçaste-me com a força de quem não vê amor há igual tempo. Talvez na verdade tu não me tivesses visto verdadeiramente durante anos, ainda que me visses todos os dias quando chegava a casa e lá estavas tu, à minha espera pacientemente a altas horas da noite; talvez isto tudo tenha sido minha culpa. Que te fiz, Deus…

Um bilhete em cima da mesa de vidro da sala denunciou as tuas acções. A mesma mesa onde costumava jantar uma família incompleta e aparentemente feliz, era agora portadora de destruição. Fitei o bilhete, a recordar memórias de ninguém, e finalmente ganhei coragem para o ler, já sabendo, sentindo, o que carregava nas suas palavras… Que palavras cruéis, Mafalda. Palavras que me estilhaçaram o coração em pedaços tão pequenos que se tornaram incontáveis, como magníficas estrelas no Universo e insignificantes grãos de areia numa praia banhada pela água salgada. Não estava preparado para tal violência emocional… Porque te abandonei eu? Amava-te… O que mudou? O que aconteceu? Amava-te na altura e continuo a amar-te… Talvez não soubesse expressar-me, ou talvez não me expressasse tanto quanto devia, mas é um facto – amo-te, e isso não mudou, nem nunca vai mudar. Porque é que não disseste nada? Que te faltava a essência da vida. Poderia ter saído, encontrar outro emprego… Sim, claro que não disseste. Pensavas na minha felicidade. Mas a minha felicidade é junto de ti… Não. Devia ter sido eu a notar, a reparar no estado lastimável em que te encontravas. Devia ter notado que a única companhia que encontravas estava nos anti-depressivos que tomavas. Devia ter notado. Tinha a obrigação de não esquecer tão facilmente as discussões que tínhamos, por vezes até em frente das crianças…

Que saudades… As crianças, com o tempo, conseguiram seguir em frente, mas deixaste-lhes uma cicatriz tal, que o teu nome é tabu em tudo quanto é conversa. À parte disso, estão ambas bem, e seguem o seu caminho. O Pedro tem 18 anos e vai para a Universidade ainda indeciso sobre o que vai fazer. A nossa pequena Maria, essa, ainda continua pequena aos meus olhos, mas o tempo passa tão depressa… Já tem 16 e anda naquela escola que tínhamos escolhido, lembras-te? Aquela com os grandes jardins. Diz que quer ser Bióloga, tal como já dizia quando ainda eras capaz de lhe ver os olhos azuis, perceber a sua tristeza e acariciar o seu cabelo em momentos difíceis, deixando-a tombar a cabeça sobre o teu misericordioso colo. Sempre foste boa mãe… E eu um péssimo pai.

Nunca te cheguei aos pés. Talvez seja isso que procuro ao vir aqui; talvez procure um dos sábios conselhos que me costumavas dar quando me sentia perdido. De facto, sinto-me um pouco perdido. Perdido na vida, perdido no mundo… No fundo nem sei porque continuo a vir aqui. Não sei sequer se ainda estás aí debaixo. Tantos anos passaram, e a vida parece tão curta… Que procuro ao vir aqui? Amor. Sim, talvez seja isso. Depois de te ires não houve mais ninguém. Sinto a tua falta; quero estar perto de ti… Quero ser capaz de manter a minha promessa… No entanto, foste tu que a quebraste. Já não sei nada… Prefiro não saber. Quero que a imagem que tenho de ti nas minhas recordações seja a mesma: boa mãe, boa mulher e boa amante. Não preciso de mais nada a que me agarrar, até porque, na verdade, muita coisa me passou ao lado e vivia na ilusão, sem conhecer a maioria dos factos. Talvez seja a minha doença a falar… “Verdade?”, diz ela, “Quem precisa dela? A Realidade é uma coisa feia, e que nos torna miseráveis. Viver na ilusão com um sorriso. Isso é que é ser feliz. Queres ser feliz?” E eu quero, quero realmente ser feliz e ser capaz de pôr para trás tudo o que aconteceu. Mas não consigo; não enquanto me atormentares todas as noites e me inundares de culpa.

Percebo agora que venho aqui em busca do teu perdão. Preciso de aliviar este peso de culpa que me persegue desde aquele dia. Perdoas-me? Deixas-me repousar esta velha e cansada cabeça no teu misericordioso colo, para que me adivinhes também a tristeza? Nesse colo, que elimina mágoas e culpas, que tem o poder de me purificar por completo? Por causa da desgraça que te causei, bem sei que não mereço sequer ouvir um “Não” da tua graciosa boca, mas o sofrimento pesa... Eu conheço-te, e sei que ainda me amas, por isso sei que não serias capaz de amaldiçoar esta pobre alma eternamente… Ou serias?

quarta-feira, 12 de março de 2008

Sonolência

Precisamente enquanto escrevo estas linhas, os meus olhos abrem e fecham sistematicamente para tentar eliminar uma nuvem que me deturpa a visão (o que mos obriga a esfregar constantemente), a minha mão treme, fazendo ocasionalmente a caneta desenhar letras de um alfabeto alienígena e, para completar o cenário, de tempos em tempos bocejo como se não houvesse amanhã. Neste preciso momento, encontro-me pacientemente à espera do meu tão aguardado capucchino (desculpem lá se não sei escrever a palavra, mas, sejamos francos, há coisas mais importantes na vida), que parece nunca chegar até mim. Vem, não vem. Vem, não vem. O empregado anda de um lado para o outro a decidir se mo há-de entregar primeiro, ou se primeiro faz a sandes de fiambre que pedi. Ainda não tomei o pequeno-almoço (como, aliás, se pode verificar) e por isso estou com fome, mas raio, tenho mais sono do que fome!

É sempre a mesma coisa. Começam as aulas e eu tenho de me reajustar ao novo horário. Goodbye, dias em que me levantava às 10:30 e goddamn you, dias infernais em que me tenho de levantar às 7 da matina. A pior coisa que podem tirar à minha pessoa é as horas preciosas em que descanso a minha magnífica (ou não) mente. Sabe tão bem deitarmo-nos à meia-noite para nos levantarmos 10 horas depois, frescos, bem dispostos, prontos a actuar e com uma nova perspectiva acerca da vida. Pode parecer preguiçoso da minha parte, mas não é. Desenganem-se, porque na verdade trata-se de um treino intensivo de reflexão onde a capacidade intelectual adormecida no subconscien… Er… Sim, é preguiça.

Ah, cá está! Finalmente o meu adorado capucchino chega ao nosso blind date e… Espera. Blind date indeed, pois isto não é um capucchino, mas sim uma abominante mistura de leite com café! Isto é um ultraje! Quando penso que não vi suficiente incompetência, vem o Fado e surpreende-me uma vez mais. Enfim, ralhete pregado ao empregado e ele leva a coisa para trás. Tudo o que quero é um pouco de cafeína! É tão difícil de compreen… Hm… Aquilo não tinha café? [. . . – Pausa] Oh my God… Esta sonolência está a dar cabo de mim…

A culpa é do computador! Oh, máquina diabólica de entretenimento! O teu software corrompe o meu tempo de sono por um vício nada saudável, e ainda por cima por um jogo que não é nada de especial, muito pelo contrário – seguem-se clichés atrás de clichés numa narrativa tão fraca e previsível que me faz chorar, pelas razões erradas – , mas cujo sistema de combate é viciante, tão viciante que me agarra horas a fio. “É só até às 22:00”, penso eu para com o meu teclado, mas às 23:30 ainda dou comigo a aniquilar, temporariamente (é notável a capacidade de respawn dos bichos – entra e sai-se de uma área e os gajos já lá estão, prontos para nos tentar agarrar), uns bichos esquisitos, que querem parecer (mas que na verdade não se parecem com nada) caranguejos, na 1ª pessoa e com um bastão mágico que lança projécteis de energia, bolas de fogo, ou electricidade. É triste? É, sim senhor. Tanto, que não fazia intenção de revelar que o andava a jogar, mas afinal parece que é inevitável, uma vez que esta é a causa da minha grande quantidade de sono. De The Witcher para Sudeki, o quanto eu desci…

Lá vem outra vez o empregado e desta vez parece estar tudo dentro dos conformes. Vou finalmente poder saciar a minha fome e a minha súbita necessidade de cafeína. Até nem costumo consumir assim tanto (men, espero que tenham lido o que está para cima; não quero cá comentários com más interpretações acerca desta expressão, hã!) mas cá na ESTA (Escola Superior de Tecnologia de Abrantes) estamos no período do Encontro da Comunicação (este ano o VII), e como tal vai cair-me em cima uma esmagadora quantidade de palestras e apresentações, que, segundo dizem, vão ser importantes para o nosso desenvolvimento profissional. Pensando bem, se calhar convém pedir um cafezito duplo hoje a seguir ao almoço. O dia vai ser longo… Interessante, mas longo e cansativo.

Geez… Isto começa bem. Logo no 1º Painel de hoje (o 2º de 3 dias) levo com uma apresentação de um livro qualquer sobre Comunicação Empresarial.
[Para quem não notou, há um grande intervalo de tempo entre este e o último parágrafo.]
My God… Isto não me interessa minimamente, e escrevo só mesmo para me manter sóbrio (olhem as interpretações), o que, estranhamente, parece estar a resultar. [Pausa] Ai, ai… Paro para reflectir um pouco e já vou adormecendo. Escreve, escreve; não pares de escrever…

Bem, acho que não há volta a dar. Não posso aumentar (ainda mais) o texto e apercebo-me que não é lá muito delicado da minha parte estar sentado na segunda fila a escrever enquanto alguém se esforça numa apresentação (qualquer dia posso ser eu, e eu não ia gostar). Dou, portanto, assim por terminado este gigantesco e caótico texto que é totalmente desconexo (leia-se, sem princípio, meio e fim – meh, nem sei que tag vou meter nisto) escrito, realizado e publicado inteiramente no mesmo dia: hoje, dia 12 de Março de 2008, quarta-feira.

A sonolência começa a estender os seus tentáculos… Não sei se vou conseguir aguentar muito mais… Se alguém encontrar este texto, é favor publicá-lo no endereço http://silentvoid-losthoughts.blogspot.com. Obrigado...

Must not sleep… Must warn the otherzzzzzzzzzzzzzzzzz

segunda-feira, 10 de março de 2008

Aparente Crise Creativa

Er... Já vai a algum tempo que eu não posto por estas bandas. Atravesso um bloqueio criativo tal, que nem o meu W.I.P. (Work in Progress) avança. Que falar? Que escrever? Que opinar? Que achar? Que reflectir? Que fazer? Que filosofar? Tenho um certo receio de ja ter atravessado o meu expoente, e de que esteja a estagnar em temas. Ter jeito para escrever não basta. É necessário ter algo sobre o que escrever.

Bem, chega uma altura na vida em que todos os escritores passam pelo mesmo. Eu pelo menos quero acreditar que sim, e quero ultrapassar o que parece ser o meu limite. Esta situação é deveras incoveniente depois de tudo o que escrevi até agora. Sinto que seria um desrespeito para com o passado não continuar, mas ao continuar a escrever, tenho medo de só estar a escrever por escrever. Que fazer, então? Tenho algumas coisas em mente, e creio que estou no bom caminho para tal. Levo mais tempo nos meus textos e trabalho em projectos simultaneos. Por agora tenho este Blog, mas estou também a escrever para uma Newsletter, onde tenho uma Coluna de Opinião. Creio que será este o passo certo a dar; um passo em frente para de frente enfrentar esta estagnação criativa.

Como disse, perco agora mais tempo no desenvolvimento dos meus textos e isso atrasa a sua publicação por aqui, mas acredito que ao aumentar a minha rigorosidade, estes sairão com mais qualidade, embora, lá está, demorem mais tempo a chegar até vós. Neste momento, estou a trabalhar numa retrospectiva de duas partes que, provavelmente, irá para a Newsletter, mas também num texto criativo para aqui, onde creio ter inovado em relação à sonoridade fonética quando se lê em voz alta, e, finalmente, uma pequena série de 4/5 partes baseada no meu W.I.P, onde faltam apenas duas partes por finalizar, que só postarei, uma parte de cada vez, quando a obra estiver completa.

Mais um announcement junta-se aos outros. Simplesmente achei que era pena estar a vir ca tanta vez para encontrarem tudo na mesma, quando eu proprio sinto a mesma tristeza ao aceder à pagina. É mais um boletim informativo do que propriamente um texto, em todo o caso, é melhor do que nada e pelo menos assim ficam a saber que não estou parado. Hm... Uma nota final: os textos que publicar na Newsletter serão postados aqui passado algum tempo da sua saída. Afinal foi para armazenar os meus textos (quaisquer que sejam) que eu criei este blog. Um bem haja a quem continuar a ler, e vou tentar não fazer-vos esperar demasiado.

Até ao proximo post.

Renato Lopes
(Lp/Strife)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Looking into the Future

Às vezes dou comigo a pensar no Futuro. Inevitavelmente, olho para o Passado, e comparo-o com o Presente, tentando fazer uma espécie de estimativa com base no percurso percorrido. Nunca acerto. Talvez porque enquanto o desenvolvimento da generalidade das pessoas é gradual, o meu é composto por pausas e avanços bruscos, que, na maior parte das vezes, são desencadeados por certos acontecimentos.

Na minha opinião, são estes soluços evolutivos que fazem com que seja impossível para mim adivinhar qual será o meu próximo passo. Como tal, de certa maneira, invejo aqueles que aos cinco anos de idade já têm o seu percurso bem definido e os seus objectivos bem especificados, quer com ou sem influência dos seus pais. Essas pessoas não se deparam com o obstáculo de ter as folhas do Futuro em branco, onde têm de escrever à medida que a história avança, e, consequentemente, não têm de enfrentar o pânico daí resultante; essas páginas, ou pelo menos um esboço, já estão escritos à partida, limitando essas pessoas a seguirem o guião.

Algumas pessoas consideram esta falta de escolha triste, mas eu considero que é uma forma confortante de enfrentar a vida. O que eu considero triste, é a causa desta sensação de deslocação para uns e de conforto para outros. Falo do facto de imporem-nos decisões tão difíceis e restritivas enquanto não passamos de meros miúdos, que, sejamos sinceros, não sabem o que querem. Decisões que implicam, ainda que inconscientemente, a escolha entre a felicidade ou a conformação são decisões que têm de ser ponderadas com calma e raciocínio, e, numa época das nossas vidas em que achamos a escola uma seca e queremos (ainda) mais tempo livre, não estamos, de todo, em condições de responder, com firmeza, a tal provocação do destino, optando pelo caminho que pareça mais fácil.

Em todo o caso, o meu Futuro, cada vez que lhe dirijo um olhar, continua coberto pela tal neblina, talvez também, por causa das minhas incertezas e indecisões. Quando ingressei no décimo ano, tal como outros da minha idade, tive que decidir algo por mim mesmo e que iria definir o caminho que iria seguir mais tarde. Os meus critérios não para aqui chamados, mas o principal é que, sabe Deus porquê, fui fazer um teste psicotécnico e que me deu para a área Económico-Social (ou algo do género). Baseando-me nisso, e deixando para segundo plano outros gostos, ingressei no Curso de Ciências Sociais e Humanas, opção de que depois me arrependi. O fundamental é que a minha experiência em Comunicação Social veio mudar a minha opinião. Aqui descobri que gostava de escrever, e o curso ainda mais me motivou nesse sentido. Afinal de contas é capaz de ter sido uma boa escolha, embora possa gostar e não ter jeito, mas isso só quer dizer é que tenho de me esforçar mais.

Descobri uma paixão, e os meus outros gostos ficaram como hobby nos quais me interesso. Gostava de ser profissional nessas áreas, mas agora acho que estou onde devia estar, e pela primeira vez não me sinto deslocado. O Futuro, esse ainda continua incerto. Vou ter que perfurar a neblina e ver o que está do outro lado, o que vai requerer esforço, mas se me aplicar, até pode ser que seja, não brilhante, mas dourado. Dourado como a sensação de felicidade e realização. Por enquanto, isso é tudo o que ambiciono.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Corrupção e Palavras

As palavras têm várias utilidades. Com elas podemos exprimir sensações, emoções ou pensamentos, mas também podem ser uma ferramenta, ou até mesmo uma arma. Como espécie racional que somos, as nossas lutas são agora, ou pelo menos deveriam ser, travadas através da lógica imbuída nas palavras que utilizamos para defender as nossas teorias e/ou pontos de vista, em campos de batalha abstractos, mas bem presentes na nossa realidade.

Os filósofos na antiga Grécia utilizavam as palavras como meio de se enriquecerem cultural e intelectualmente, através de confrontos onde ambos os lados beneficiavam, quer em conhecimento, quer em capacidade argumentativa. Através da discussão dos factos, as mentalidades podem evoluir ao fundamentar consistentemente as suas opiniões, e, assim, procurar uma perfeita teoria ou tese para determinado problema/assunto. No entanto, para ter tais discussões abertas, é necessário ter uma mente igualmente aberta. Ora, como todos sabemos, a Humanidade esconde a “vilandade” dentro de si, e pessoas cujos dogmas e interesses dominam, aparecem sempre. Neste caso concreto, essas pessoas são os sofistas: pessoas dogmáticas e cujo único objectivo é o cultivar do Ego e reputação, que aumentam com o número de discussões “ganhas” e teorias refutadas. Discussões que envolvem sofistas acabam sempre em catástrofe, porque ninguém verdadeiramente ganha. Teorias potencialmente importantes para o desenvolvimento civilizacional são refutadas por estes homens através de falácias de raciocínio que o lado defensor não detecta, e o conhecimento que poderia dali resultar é perdido, ou melhor, trocado por fama e fortuna, deixando o Conhecimento e o ideal filosófico para quadragésimo quinto plano.

Isto é grave, porque representa, sem excepção, o tipo de caminho que a Humanidade percorreu até aos dias de hoje, e que, infelizmente, continuará a percorrer. Troca-se conhecimento, sem preço, por um punhado de barris de petróleo, e vendem-se ideias que visam a manipulação de ideais. O estrelato é também muitas vezes obtido através de truques e manhas que eliminam todo o esforço de outrem. Só prospera quem está de acordo com os interesses de cima; tudo o resto é pó.

As palavras assumem uma importância extrema na nossa vida, tenho pena é que a maior parte das vezes sejam utilizadas para fins vis e egoístas, e não para o enriquecimento de todos os seres humanos por esse globo fora. Estarem absorvidos com as suas pequenas e insignificantes vidas também não ajuda, mas a ausência de motivação em buscar o Conhecimento e a falta de vontade em discuti-lo com os seus semelhantes é ainda mais grave, pois leva a uma estagnação no desenvolvimento intelectual do indivíduo, da sociedade, e inclusive da raça. Devíamos parar de engolir tudo o que nos atiram e sermos mais selectivos. Lá por aparecer na televisão ou nos jornais, isso não torna os acontecimentos, ou informações, verdadeiros(as). Numa era em que os media só querem audiência, o sensacionalismo reina, e todos sabemos que o sensacionalismo não é o caminho para a verdade, mas sim a honestidade e a humildade perante o público.

Corrupção inata do homem, leva a corrupção aos media, que por sua vez corrompem intelectualmente a multidão, o povo, guiando-a por um caminho erróneo, de forma a enraizar-se ainda mais nas mentalidades e manipular toda uma sociedade, civilização, e ainda por cima lucrar com o feito. Este é o verdadeiro poder das palavras.

[Este texto foi publicado no fórum eXPe]

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Crueldade

Viro-me para a minha esquerda e o Sol bate fortemente. Por reflexo, as pálpebras estreitam-se, e o choque luminoso diminui. O calor, no entanto, perdura e, enquanto avanço em direcção ao abismo, dá uma agradável sensação de conforto. Estaco repentinamente, sentindo carícias de algumas ervas rasteiras, e, do alto do rochedo, vejo crianças que correm alegremente pela areia da praia. Um sorriso nasce na minha face. Ergo um pouco os olhos e olho o distante horizonte que cavalga em cima da água marítima. Algumas nuvens no céu, manifestam o stressante ritmo citadino, ritmo que já não faz parte da minha pessoa. Num sopro forte, o vento varre a minha face, tão violentamente que alguns grãos de areia se fazem sentir na pele. Dá uma leve sensação de esvoaçar, mesmo, e talvez apesar, de não me mexer. Levanto os braços, e sinto a minha falta de aerodinâmica. Olho para mim mesmo e apercebo-me que não preciso de tanto. Basta-me o cabelo para sentir o vento, e as mãos para o tentar prender. Bastam-me os olhos para admirar o horizonte, e a pele para sentir as suas investidas de sal e areia. Ilusão? Sim, ilusão. Que crueldade puseram em frente dos meus olhos... Mas eles não resistem; não se desviam. Doce ilusão. Ou ilusão presente de um futuro próximo? O bip-bip da máquina não há meio de parar. Pára, raios! Pára! E acaba com esse som infernal! Tanto que eu queria, mas ela ignora as minhas exigências. Que crueldade... O quanto eu gosto daquela pintura...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Divagação

Memória. É uma parte integrante do nosso ser. Dá-nos a possibilidade de gerar uma personalidade através da acumulação de experiências vividas por nós ao longo da nossa vida. Vida essa que é gerada todos os dias, controlada outros tantos, e chega ao fim em mais alguns. Entre empurrões políticos e choques ideológicos, as influências estão sempre presentes, tanto para bem, como para mal. Suponho, no entanto, que qualquer tipo de influência é errado, porque ser influenciado é carregar os desejos de outrem e toma-los por nossos. Mas, devo reconhecer que um ser humano sem influencias é um ser inseguro e incapaz de ter poder de decisão. Poderá isto implicar que nenhuma das decisões, opiniões e posições que tomamos sejam verdadeiramente nossas? Poderá ser que a nossa existência não seja mais do que um mero reflexo de outras antes da nossa? De facto continuamos a venerar saberes antigos provenientes de antigos sábios, sem que, consigamos enxergar o Presente, e os saberes que ele nos proporciona. O Futuro tem igual importância. Preocupamo-nos em construir o futuro, e em saber o que ele nos reserva, olhando sempre para o Passado em busca de matéria para comparação, mas esquecemos frequentemente o Presente, que é vivido por quem tem dificuldades. Essas pessoas não conhecem o Passado, não querem saber do Futuro, e mal conseguem sobreviver no Presente. No entanto, elas próprias são o nosso Presente. É nelas que nos devíamos focar mais, e não em novas tecnologias que tentam trazer o futuro até nós, até porque, deep inside, todos sabemos que a felicidade reside na simplicidade e não na complexidade criada em laboratórios que visam lucro. Se bem que apesar de tudo sou um pouco suspeito para falar. Sou um gamer e sou também produto desta geração consumista que alimenta o Capitalismo. Já lá dizia o outro “I am what the society made me”. Mas ainda apesar disso, consigo ver a verdade e o caminho que a humanidade devia seguir. Serei um iluminado? Não. Basta apenas querer manter os olhos abertos.

[Este texto foi publicado no fórum eXPe]

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Been some time

Já lá vai há algum tempo que não penso em nada para pôr por aqui, mesmo após ter dito que ia ser "de rajada". A verdade é que tenho andado a escrever muito e já não coisas tão minimalistas como a que está em baixo. Escrevo, reescrevo, volto a escrever e rescrevo novamente, num ciclo que aprimora a minha capacidade de transmissão de informação. 13 folhas oficiais. 9 são uma única analepse ainda por acabar, toda baseada na ideia desses três parágrafos embaixo e que se calhar vou transformar em num novo capítulo chamado "Petra". O início precisa de um pouco mais de contextualização; quero uma sensação de "in-media-res", mas para isso é preciso apegar o leitor um pouco mais ao Presente antes de recuar para o Passado. Sim. Vou alargar a acção inicial do Presente um pouco mais, para se fazer sentir o contraste de personalidades das personagens nos diferentes Tempos, nomeadamente Isaac e Petra. E depois há ainda a questão de Michael nos tempos modernos... Hmm... Ei-de pensar em alguma coisa.

Quanto ao blog, acho que vou torná-lo mais numa espécie de log onde vou fazendo updates desta minha experiência, pois embora o tenha criado com o objectivo de divulgar um pouquinho mais a minha escrita, ao ver a proporção que a minha pequena história está a tomar, não me parece ainda viável divulgar o meu trabalho pela Internet fora. (Não que venha cá muita gente :P). Em todo o caso, a ver se me vou lembrando de postar algumas postas de pescada de vez em quando, nem que seja para quebrar o ritmo.

See you soon

PS: Ainda ando a pensar num novo nome para o Blog. Sugestões aceitam-se.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Petra

Petra. That's a name I will never forget. After loosing so many people who were important to me, I found myself again on this woman. When I was sealed on this hellish place, she chose, by force, to come with me. The tears she dropped when I was to be sent here were genuine. I am sure of that.

I met Petra a long time ago. Our relationship is good; very good. I met her, when I wandered through the Middle Age of the Earth. She was a thief, and she did a bit of fighting too, using her long daggers. She tried to steal money from me, on a poor village. I deliberatly let her steal it from me and stealhly followed her. She arrived at an abandoned wood house, and then gave the money to a group of people. I admired her act and let her notice me. When she saw me, she was pretty scared. Certainly, she had recognized my face. Fortunatly for her, I was in control of myself that time, and though she had reached for her daggers, I just smiled at her. Those black eyes turned from scared to confuse and she gently, but without letting her guard down, asked "Why?". "Because there should be more people like you", I said.

Her white face blushed a bit, and I looked right into those big black eyes of her. She looked like she hadn't had a proper sleep in months, as well as the other people. I thought they were all hungry and afraid that someone would kill them in the night. I bet it was far closer to the thruth than I had imagined. All they had was each other, and, with the help of each other, they burdened that lifestyle. That touched me, but her white face, her black hair and eyes, her soft skin... That touched me even more.



In (Still working on it - ...)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A travel by bus

Looking through the glass window, I can see trees dancing with the blowing wind, and, though I have my headphones on my hears, I can hear the noise people do, trying to get up in the bus and sitting tightly on their seats, or, desperatly trying to get a place to grab themselves. Rush hour is always like this. It almost seems like a whole city moves around itself, creating a routine that is strictly and religiously followed. The noise, the running, the yelling... It's all part of the my favourite moment of the day.

For an half of hour, I am free to go wherever I want to go. I just need my mp3 and a pair of headphones. The bus slowly starts to take off, and I feel the gravity pulling me backwards to the seat. It's a nice feeling. Though it's night and I can't see much of a thing out of the bus, I still look through the window. The bus has the inside lights on, and that also doesn't help at all, but I don't bother with that. The bus is riding, and I'm not even there. The music gets through my ears and takes me to a zombie-similiar state, where I am free to imagine what I want, and, for that half of hour, I am God, I am the Devil, I am a simple person with a simple life, I am a Hero, I am a minion, I am a secundary character of a plot, I am all that there is to be, and all that ever was.

An half of hour. Never it has passed so quickly, with a peacefull sensation of happiness in which I drowned for that half of hour. The bus slowly stops, and the kids on the back, happily and astonishingly quick, get up from their seats and fight to be the firts to get out. The doors open, I get up, now with the mp3 on the pocket, turned off, and carry myself to the stairs. Step by step, I slowly climb down, observing the black sky and the garden right in front of me, knowing, deeply inside, that I am not just getting out of the bus, but also giving up from my true happiness. At least until tomorrow morning.

Agora é de rajada

Isto tem andado parado (férias e tal, vocês sabem...), mas em compensação a nivel de escrita isto tem andado produtivo. Sou capaz de meter uma boa quantidade de textos em pouco tempo, por isso não se admirem e vão passando por cá de vez enquando. Also, estou a pensar em mudar o endereço, que é grande como o raio. Eu depois aviso qual vai ser e quando vou mudar. Stay tuned ;)


Cumps
Renato Lopes
PS: Já agora, votos de um bom ano de 2008.