sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Tenho a mania que sou alguma espécie de herói que quer salvar os outros do que foi em tempos o seu destino: a solidão. Uma pessoa, duas pessoas, três pessoas... Três tentativas, três fracassos, e só te salvei a ti. Sou um pseudo-messias fracassado que se agarra ao seu único sucesso; sou um cobarde que se esconde ao lado do teu cachecol; um bom mentiroso que teima em não mentir; e no fim, só te tenho a ti para me consolar no fim da batalha, quando ninguém está a ver...

sábado, 25 de outubro de 2008

Ontem, ao som do fazer do azeite no lagar, tenho um pequeno momento de abstracção... Num impulso completamente espontâneo e incontrolável, mando uma mensagem a um amigo meu a perguntar... não, a afirmar que vamos sair nesse dia. Não parava de pensar em ti, e precisava mesmo de conseguir ver-te. Pelo menos neste fim-de-semana, pelo menos neste fim-de-semana. Exerci pressão, e finalmente consegui.

Combinado: 21 horas, sem limite de horas para regressar a casa. Mas... sem mais nem menos lembra-se de abalarmos as 19 horas por causa de um jantar que os pais dele tinham. Ora, o Renato ainda estava com a roupa da azeitona. Bati recorde; bati recorde só para te ver. Fiz a barba num ápice (ia-me cortando algumas vezes), aqueci uma panela de raviolis no micro-ondas (foi o mais rápido que consegui arranjar - 3 minutos), saquei de uma colher e da garrafa de Ice Tea Green no frigorífico e nem precisei nem de prato nem copo; nem cadeira. Engoli a comida, tirei a roupa com um fulgor nunca antes visto e saltei para dentro da banheira. Champô, gel de banho, e 5 minutos depois saí da banheira em direcção ao quarto. "Move it!!", dizia ele. Eu despachava-me. Desodorizante, calças, t-shirt, ténis... After-shave no fim e ainda tive tempo de lavar os dentes à pressa. 20 minutos após a mudança de planos estava eu já a entrar dentro do carro com um sorriso já adivinhar a perfeição que aí vinha.

Encontrei-te, bebemos chá verde (eu outra vez), segurámos as mãos um do outro e passeamos pela cidade fantasma de cor amarela primeiro, e depois pelos buraquinhos mais pequenos e escuros que se nos apresentavam, como se fosse obra do Destino. Corremos os jardins, batemos nas paredes, fizemos pressão no banco de pedra, rebolámos na relva e conversámos e eu segurei-te e tu seguraste-me e olhamos um no outro a ver o que ia acontecer a seguir.

Quem diz que a perfeição é uma utopia é uma pessoa pela qual sinto lamento por causa do seu azar em não experienciar uma noite absolutamente perfeita com uma pessoa também ela perfeita. Não digo que seja fácil, mas está provado que não é impossível. E daí, quando estamos juntos tudo é possível...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ontem acordei, levantei-me, vesti-me e lavei os dentes. Saí de casa e reparei no vento que soprava tão forte que parecia estar a ralhar-me aos ouvidos como se fosse fazer algo proibido hoje. Olhei para o relógio; meia-hora para o autocarro. Um dia perfeito, um dia perfeito.

Fiz umas festas a alguns dos gatos que fazem a sua vida mundana no meu quintal e a um quarto de hora para o autocarro iniciei uma passada calma e compassada, enquanto apreciava o momento. Perfeito.

Estava nervoso, tremia e não tinha qualquer concentração. Hoje era um dia... normal? Não me pareceu. Parecia que as borboletas na minha barriga queriam sair mas não saíam, e que a minha mente estava noutro sítio completamente diferente. Mal dei por mim atirei-me à estrada para parar o autocarro que ia passar por mim, mesmo apesar de ter chegado um quarto de hora antes do horário. Hoje não podia perder o autocarro de maneira nenhuma. Havia algo importante a fazer.

Como de costume liguei o mp3 em modo aleatório e, curiosamente, ou não, calharam, por ordem, as faixas "Dead Gardens", dos Nightwish; "A cova que eu cavo", dos Dealema; a "In Pieces" dos Linkin Park, "Higher than Hope", também dos Nightwish e finalmente "Free Bird", da Yui.

Parecia que tudo em meu redor conspirava para algo...

...adivinhas o quê?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

SV em Standby

O Silent Void vai entrar numa espécie de standby mode. Estou a trabalhar numa página web para mudar tudo de sítio, e portanto por enquanto não vai haver nem textos criativos, nem opiniões, nem nada do género. Recentemente fiz uma descoberta, though; e portanto este blog vai continuar a existir, sim, mas para a vulgar função dos blogs: desabafos ou para mostrar como me sinto.

Still interested? Keep on comin', then. If not, aguardem a inauguração da página. Deverá estar online brevemente (digo eu), com todos os textos daqui e ainda mais conteúdo, mas até mesmo essa será a modos que temporária até mudar tudo novamente para o Wordpress. A razão é que esta página que estou a fazer agora, tecnicamente é trabalho escolar para uma cadeira do meu curso, e como é feita em Dreamweaver e é a primeira página que estou a fazer, está a ficar um bocado aquém do que tinha imaginado, tanto em visual, como em funções.

Em todo o caso, este blog sempre cá estará; embora não com a mesma função.

Obrigado a quem me leu e continuará a ler (se é que alguém se deu/dará ao trabalho).

Renato Lopes

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O Evangelho "No Continuesco" segundo Renato Lopes

Era uma vez uma revista chamada Mega Score que era adorada por uma comunidade altamente fiel à qualidade e personalidade da escrita dos seus escrivães. Era uma vez um rapazito sem qualquer contacto com o que quer que fosse. Era uma vez um outro rapaz sentado de perna cruzada num banco da escola a ler atentamente um guia para o Tomb Raider: The Last Revelation numa revista chamada Mega Score. E era uma vez a curiosidade de uma criança ao descobrir algo novo; subitamente o rapazito começou a interessar-se pelo tema da revista: os videojogos.

Anos depois, a comprar revistas, a ter escassos encontros com o mundo videojogável pela falta de potência do computador que possuía na altura, e a tentar decifrar a linguagem que vinha em cada exemplar, o rapazito começou a adoptar também ele a gíria da indústria e a perceber melhor o que acontecia. Mas não se enganem, muitas foram as revistas que ele comprou pelo CD ou cujas informações passaram mais ao lado por não conseguir descodificá-las, restando-lhe apenas admirar as imagens coladas às páginas numa arte desconhecida para ele na altura. Com mais algum tempo, o rapazito aprendeu o que era um fórum e reparou que realmente a revista não só tinha um, como algumas discussões eram transcritas para as páginas impressas da própria revista. Como agora outro conhecido dele frequentava também ele o fórum de uma revista rival que ele adorava, o rapazito perguntou-se porque não haveria ele também de se inscrever no fórum da sua revista preferida. E inscreveu-se, e começou logo a participar numa agora épica e inesquecível discussão sobre o jogo que tinha em mãos na altura: o Final Fantasy XII.

Aí cruzou olhares e simpatias com um outro membro que como o rapazito também ele era fã da saga, embora com opinião claramente divergente acerca do jogo em questão, mas foi isso no fundo que possibilitou a discussão dos nossos gostos dentro da saga e abrir uma maior cumplicidade entre os dois. Mas a diversão (pois o rapazito estava admirado com o quanto se divertia a discutir os seus gostos com completos desconhecidos) durou pouco tempo, uma vez que subitamente o fórum fechou e a revista havia sido cancelada. O rapazito havia descoberto um admirável mundo novo e entristeceu-o a sua falta de sorte ao acabar assim, sem sequer ter conhecido 5 membros, sem sequer ter explorado mais do que 5 tópicos e sem sequer ter feito mais de 15 posts. Ainda assim entristeceu-o também a perda da sua revista preferida.

Mas, para surpresa do rapazito, a comunidade recusava-se a morrer, e abriu um fórum não oficial sobre a revista. Aí, sabe-se lá como, reuniram-se os membros todos e o rapazito sorriu perante a oportunidade de reintegrar a comunidade. Mas mais uma vez teve azar. Registou-se, sim, mas pouco tempo depois o fórum havia fechado com um sinal na porta que apontava para um outro site. Havia chegado tarde demais, mas chegou cedo a um outro projecto chamado iTomik, que, sendo independente da revista, não negava a clara ligação existente entre a comunidade e a revista Mega Score, agora fonte de saudade e mágoa dos membros da comunidade extinta.

E o rapazito lá se inscreveu no iTomik, ainda com o mesmo nome do fórum da Mega Score na esperança de alguém se lembrar da sua escassa participação. Ninguém se lembrava, mas ele lembrava-se de um ou dois nomes que se destacaram na sua curta estadia e rapidamente depositou os olhos nas suas participações. Além desses, conheceu gente nova e interessante, com algo ora relevante ora disparatado a dizer, e sentiu o calor de uma comunidade receptiva a novos membros e o frio da rejeição. Subitamente não obtinha respostas. Que se passava? Seriam as suas participações altamente desnecessárias ou simplesmente absurdas? Teria criado inimizades com alguém sem querer? Haveria um complot contra a sua pessoa por ser um membro novo com coisas a provar ainda? O rapazito sentiu-se perdido e a sua actividade foi diminuindo à medida que a insegurança aumentava. Lia, respondia pouco, embora o rapazito não soubesse ainda porque respondia, porque não obtinha, de todo, respostas. Tentou chamar a atenção através de guerrinhas e fez coisas que o seu medo pela rejeição o fez fazer e que não faria de outra forma.

Finalmente, as coisas começaram a acertar. A voz lentamente ia chegando aos ouvidos de quem lia as participações do rapazito nos tópicos onde sabia mais. Havia sido ignorância da sua parte e havia também dito muitos disparates por causa disso; tudo fruto da inexperiência na indústria e de ser novo para as mecânicas sociais dos fóruns. Mas essa experiência ensinou-lhe algo valioso: pensar antes falar e pesquisar antes de pensar.

Mas também o iTomik rapidamente começou a sofrer de uma estagnação e o que era para ter sido um portal sobre cinema e videojogos manteve-se como um fórum estagnado e bafiento, isolado do mundo exterior. Planeou-se uma remodelação, algo que foi rapidamente posto de parte por uma misteriosa falha nos servidores que causaram problemas graves no funcionamento do fórum. Foi então que se pensou em fazer um novo portal do zero, mas onde a prioridade seria o conteúdo e uma redacção fixa, apenas com um fórum secundário para a velha comunidade se manter em contacto.

O rapazito, claro, já com uma voz dentro da comunidade, ainda que fraca, discutiu e apresentou as suas ideias e opiniões e propôs soluções aos problemas que lhe apresentavam. De credibilidade e solidez duvidosa, as suas opiniões foram passando através das páginas do tópico e pelo menos a vontade de querer participar activamente no futuro do fórum ficou bem assente.

Entretanto, num outro fórum, não longe dali, onde alguns membros da comunidade assentavam raízes num novo projecto da redacção da falecida Mega Score, houve uma discussão que não foi discussão e que apesar de à vista de todos, passou por todos despercebida. Duas pessoas, rapazito incluído, faziam posts do tamanho de reportagens do Diário de Notícias onde mostravam os seus ideais e modos de ver a vida. Entreteve ambos e ambos se conheceram um pouco melhor por isso, e o rapazito agradeceu a oportunidade que teve de ter um olhar exclusivo para dentro da mente de uma das pessoas que lhe despertou interesse no início do iTomik. Houve ali troca de informação… e de Poder.

De volta ao iTomik, houve um membro que decidiu tomar as rédeas do novo projecto e a partir daí partiu em recruta de potenciais mais-valias para o site e de gente com vontade para ingressar no mesmo. Pelos posts feitos no tópico da discussão, o rapazito presumiu que estivesse dentro da segunda secção, mas aceitou o convite em êxtase por entrar num projecto sério, com alguns membros que lhe haviam despertado atenção também. O rapazito sentiu-se honrado e depois esmagado com a responsabilidade, ao ver que era realmente para fazer algo como deve ser.

Mais tarde, o recrutador passou oficialmente a chefe e eventualmente começou a trabalhar na página do site. O nome foi ainda debatido no iTomik, mas chegou-se unanimemente à conclusão de que No Continues era de facto um excelente nome por reflectir a ideologia do nosso trabalho e por ser apelativo, também.