sábado, 15 de novembro de 2008

O sorriso e a dupla-face

Um sorriso malévolo espreita-me das sombras. Ri-se de mim. Será o monstro que habita em mim? Algemado pela sociedade, liberto agora por algum fenómeno desconhecido a mim?

Assombra-me com recordações, atormenta-me racionalmente e com frieza e simplesmente sussurra ao meu ouvido preso a uma cara paniquificada: “Quero sair”. Quem é que afinal é o Rei e quem é que é o Cavalo? Quem é que se tem de submeter à vontade do outro? Foi só tirar-lhe as algemas uma vez, e a criatura já luta pela supremacia…

Um corpo, duas mentes e um revólver. Duas mãos lutam pela arma prateada que reflecte a luz do Sol que entra alegremente pela janela de meia-persiana aberta. Ouve-se um tiro resultante da luta e da face esquerda escorre um rio de constante de lágrimas impulsionado por uma pupila minguante e trémula, enquanto que da face direita sai um sorriso malévolo e traquina, acompanhado por um olhar exibicionista e penetrante, de plena satisfação. Um do Um que me forma tomou para si o poder de decisão sobre a vida do outro; o direito conferido naturalmente pela Lei do Mais Forte.

E dispara.

Ouve-se mais este disparo ensurdecedor e um corpo que foi meu cai por terra numa acção completamente fora do meu controlo. No entanto, estranhamente mais ninguém pareceu ouvir o trágico e ruidoso som… Excepto tu; que vês a cena com um ar morbidamente deliciado. A natureza humana transparece em ti: a tua expressão é exactamente o que muitas vezes está por detrás da máscara civilizada; a besta selvagem sem dono que brinca com a vida, que manipula e usa, que é egoísta, que tem ânsia por luxúria… A besta que procura a vida boémia de um demónio no Inferno; que procura ser capaz de beber sangue e que, pelo mero capricho de não o poder consumir, o espalha no cimento, na terra, no alcatrão, no chão das prisões e no chão da sua própria casa.



Porque és tu tão cruel?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008




The past always catches up with you. Não podes fugir, não te podes esconder, não podes evitar e apenas te podes arrepender. E depois afundas-te...

Que é suposto eu fazer? Sabes que estou ao teu lado, sabes que me podes contar tudo, sabes que podes chorar no meu ombro, sabes que me tens na mão, sabes que te amo... Mas ainda assim escapas-me por entre os dedos como manteiga que eu tento desesperadamente segurar por mais um pouquinho de tempo... Mostras e correspondes os meus sentimentos, mas sinto que em ti ainda há um vazio por preencher com cores; um vazio que ainda não consegui alcançar com o toque do amor, da amizade... E não sei de que maneira posso chegar a ti. Já te compreendo, já te conheço; mas continuo sem saber o que fazer... Que tenho eu mais de fazer para apagarmos juntos esse fantasma? Guia-me...

terça-feira, 4 de novembro de 2008





Neste pouco tempo que estamos juntos já te fiz chorar duas vezes e já duas vezes me entristeci com a tua tristeza. E depois... Parece que tenho talento para arruinar a perfeição, que tenho talento para sabotar a minha... a nossa felicidade. Gosto de ti, e tu gostas de mim. Mostraste-me isso hoje ainda antes das lágrimas correrem pela relva e pela calçada, quando no auge do nosso tempo passado em conjunto me permitiste conhecer-te um pouquinho melhor. E falámos... Falámos abertamente coisas que nunca disse a ninguém e que nunca pensei que viria a dizer; mas ficou ainda algumas coisas por dizer e tu lamentas. Tu desconfias e olhas de lado a minha desconfiança em ti, que não é desconfiança, mas incerteza e medo. Sim, medo. Medo de arruinar o nosso momento perfeito; medo de arruinar a nossa felicidade temporária. Há coisas sobre mim que não devem ser trazidas ao de cima, porque até eu tenho o meu lado negro... As palavras ditas hoje; sinto-as do fundo do coração. Todas as elas, pois sabes que não digo coisas em vão.

5 letras e um hífen marcaram a tarde de hoje, tal como um gemido abafado, uma conversa, um aperto e um enlaçar de emoções e ingenuidade... e inocência.


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