quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Breaking dawn

"Sempre é muito tempo." Abriu-se um vazio silencioso em mim quando pronunciei as palavras. Um vazio que me tomou e que não me tomava à tanto tempo. Tive saudades tuas, mas vê se controlas a raiva, a angústia e a tristeza; não estás sozinho, já. E enrosquei-me nela.

Viu-me pela primeira vez e ela realmente não percebe, não compreende, não sabe como agir, não sabe que me refreio, não sabe que tranquei as palavras não para ser mal educado mas por não conseguir... Por não conseguir fazer-lhe mal, por não querer que as palavras saiam para lhe fazerem mal.

Às vezes perco o controlo.

O controlo de quem sou, quem fui. O controlo daquela outra pessoa que se enterrou com a chegada dela ao seu mundo e ela que não se atreva a desenterrá-la; nada de bom resultará daí, garanto-lhe. Ela que a deixe estar fechada na mansão abandonada do meu ser, ela que deixe o puto chato que a faz rir assumir o controlo. Será muito melhor assim, muito mais fácil, tanto para ela, como para mim. Estamos tão bem como estamos, será que é realmente necessário ela saber quem sou? Mas esse puto também sou eu, será que ela não entende?

Três meses são três meses, mas também são só três meses...

Ela não percebe, não compreende que não se pode simplesmente voar alto; que ao tirarmos os pés do chão estamos a assumir isto como se fosse uma brincadeira; e isto para mim não é uma brincadeira, por isso é que tenho os meus pés no chão e a deixo voar, para que caso ela caia a possa apanhar. Mas ela não percebe, não compreende, que se voarmos os dois, caímos os dois e não há quem nos apanhe, e eu gosto sempre de ter uma rede de segurança para me separar do longínquo chão lá em baixo, do negrume lá em baixo, da falta de luz sombria lá em baixo, do vazio negro lá em baixo, daqueles olhos traquinas lá em baixo... Tenho medo de ir lá para baixo.

Sei lá o que vai acontecer daqui a outros três meses? Nove meses? Um ano? No máximo ficamos ano e meio juntos, e ela diz para sempre... Sou eu que não vejo ou é ela que não vê?

Parabéns pelo nosso aniversário que mais uma vez não vamos comemorar. Para sempre... Lamento que tenhas visto aquela cena...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ontem entrei apressado pelas portas de madeira à entrada da escola e vi um fantasma. Um fantasma, mas não daqueles que arrastam correntes ou que tiram a eternidade para nos chatearem a cabeça, mas um fantasma bem real; um fantasma de um tempo distante e parcialmente esquecido... Não; bloqueado por mim. Aquelas costas, aquele blusão, aquela calças, aquele penteado e cor do cabelo... Que raio faria ele ali?

Não faria nada porque apesar de extremamente parecido não era ele.

Mas ironicamente isso desencadeou em mim uma aura nostálgica sabendo que ele fez o que fez... Apesar da ilusão evidente, ainda sinto uma certa falta da companhia além-amizade que proporcionava... E pensar que isso tudo quebrou em mil fragmentos quando me apercebi do que realmente se passava; quando finalmente abri os olhos apesar de mos tentarem abrir milhentas vezes...

Mas estupidamente ainda sinto falta das piadolas, das graçolas, dos toques com o dedo indicador que ele me dava no ombro para me chamar a atenção, das vezes em que ele dizia que o maior desgosto dele era eu não perceber patavina de carros... Sinto saudades do spot, das mesas da biblioteca da escola, dos filmes, das sextas-feiras a ler o Inimigo Público e a beber Pepsi tirada da máquina (o momento Pepsi, chamávamos-lhe nós)... Sinto saudades do puto de 10 anos com corpo de 16 em que me tornara, subitamente vendo ali uma oportunidade para viver a infância que nunca teve. Talvez seja por isso que quando estou com ela esse puto tenta desesperadamente saltar cá para fora, em busca de umas férias da prisão onde se encontrava.

Mas sinto-me tão idiota por pensar que viver numa ilusão às vezes seria melhor...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Chegas, sentas-te, sorris, puxas de uma revista e distrais-te.
Chego, sento-me, sorrio, puxo do caderno e as lágrimas escorrem-me por dentro.




Tenho tanto medo...