segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

E já faz mais de um mês desde que nos encontrámos no Taguspark para Nos matares e começares logo de seguida a relatar a tua vida com o outro. Nem passou meia-hora, ahah... E por cá ando eu. Ando quase como se não andasse; andar ou não andar não faz grande diferença. Continuo a sentir-me vazio e corro desesperadamente à procura de algo que me preencha; continuo a sonhar contigo - sonhos cor-de-rosa ou pesadelos negros, não importa porque é tudo o mesmo -; continuo sem amor próprio; continuo a sentir o meu coração devastado... Continuo na mesma.

E tu feliz da vida, extrovertida e a falar pelos cotovelos como quando fazes quando estás bem disposta, a contar e a espalhar os teus dias perfeitos e a felicidade que te transborda.

Sempre te disse que apenas queria que fosses feliz, mesmo que isso não fosse comigo, mas apercebo-me que não sabia muito bem do que estava exactamente a falar. Não quero que sejas feliz; na verdade quero que batas com a cabeça na parede uma e outra vez e te arrependas do que fizeste. Vejo-me cheio de ciúme e a rezar que as coisas com o outro acabem mal para sofreres como eu sofri.

Eu sei, tornei-me uma pessoa horrível, talvez, mas não tenho outra maneira de ser, já. Até do facebook apagaste as fotos da Roménia que tanto exibias com orgulho, tal como me apagaste a mim e me continuas a chamar de "amigo" mesmo eu não consentindo que o fizesses. Não sou teu amigo - já não - e não voltarei a ser tão cedo, portanto vê se metes isso na cabeça.

Mas também não interessa, não é? Já desabafaste tudo o que tinhas para desabafar e agora vai tudo bem, não é? Já não precisas de mim. Já não andas atrás de mim a perguntar como estou. Já não vens conversar comigo. Porque já me deste o último uso que tinhas para mim.

E eu cá estou; como se cá não estivesse. Partido, usado, vazio, sozinho... Às vezes mesmo incapaz de derramar as lágrimas que me trariam algum alívio.

Odeio-te.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ontem fomos sair. Como amigos.

O ponto de encontro foi no Vasco da Gama, em frente ao cinema. Subi as escadas rolantes e contornei-as até à parte central do centro comercial. Estavas sentada num dos bancos, com aquele casaco novo que te fica tão bem, e umas botas novas, parecidas com umas que tinha pensado oferecer-te no Natal. Estavas linda, com uma franja adorável.

Aí, a ansiedade que me atormentava antes de embarcar no comboio e de me levar a recorrer ao ombro de uma amiga através de sms, tornou-se sofrimento. Dois segundos de ti e já era insuportável, tão insuportável quanto a tua ausência. Tentei minimizar os danos ao cumprimentar-te com um aperto de mão, mas tu foste cruel e não deixaste. "Amigos cumprimentam-se com um beijo na cara". E mais duas facadas no coração.

Fomos até à fnac. Ver cd's, livros... Recordei-me das vezes em que nos costumávamos perder dentro de fnac's. Mostrei-te cd's, mostraste-me cd's, trocámos piadas... Mas às escondidas aproveitava qualquer chance para espreitar a tua cara curiosa quando pegavas num cd, ou ver como o teu cabelo parecia suave, ou os teus lábios saborosos...

Passeámos pelo Vasco. Tudo normal. Parecia os passeios de quando ainda éramos um casal, mas desta vez não estavas encaixada em mim, não me estavas a dar a mão, e eu mal te conseguia olhar para a cara...

Antes de comermos fui ao wc. Olhei-me ao espelho. "Que raio estou eu fazer?", pensei enquanto enxugava as mãos e garantia a certeza de até nem estar mal vestido, para te impressionar, talvez, ou mostrar que vivo para além de ti. Nada podia estar mais longe da verdade...

Durante o jantar falámos e rimos um bocado. Tu demoraste décadas a comer, como costume (ahah) e entretanto eu às escondidas surripiava o meu olhar para ti, para a roupa que trazias vestida, e para quão bonita estavas. E não aguentei... Tinha que me ir embora. Tinha que sair dali. Tudo aquilo era demasiado familiar... Não podia arriscar-me a cair na ilusão novamente... Já não eras minha, já não. Olhar para ti doía-me. A mais mínima e inocente brincadeira doía-me. Qualquer referência a ti e ao outro doía-me.

Fugi. Cobarde, fugi de ti, sem esperanças.

Em casa abri a vodka preta que tinha maquinalmente comprado dias antes - destino, talvez. Chorei e bebi. Desabafei com uma pessoa que se tornou um pilar necessário à minha sobrevivência, e ao mesmo tempo falava contigo. Não me recordo muito bem do que eu disse, mas tenho certeza que eram coisas que não eram para ter sido ditas. Poderia ir conferir ao log da nossa conversa no msn, mas opto por não o fazer. Chorar mais para quê? Há-de haver mais oportunidades...